247 – A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) decidiu propor uma ação civil pública para buscar a responsabilização da Meta por suposta interferência no processo eleitoral brasileiro de 2026. A iniciativa tem como fundamento relatos de bloqueios de perfis e sites associados à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de denúncias sobre o uso direcionado de inteligência artificial em benefício de seu adversário, Flávio Bolsonaro.
A medida foi motivada por relatos de centenas de bloqueios que teriam prejudicado a campanha de Lula. A entidade também aponta suspeitas de tratamento desigual entre as candidaturas nas plataformas controladas pela empresa, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp.
Uma das principais denúncias envolve o suposto uso de ferramentas de inteligência artificial para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro. De acordo com a ABI, há relatos de que conteúdos relacionados à campanha de Lula estariam sendo restringidos ou suprimidos, enquanto publicações associadas ao adversário receberiam maior distribuição e recomendação.
A entidade pretende que essas práticas sejam examinadas judicialmente, buscando responsabilizar a empresa por eventuais irregularidades capazes de comprometer a igualdade de condições na disputa eleitoral. Comitê da própria Meta apontou falta de transparência
A ABI também utiliza como fundamento de sua iniciativa manifestações do Comitê de Supervisão de Conteúdo da Meta, órgão responsável por analisar decisões de moderação nas plataformas da companhia. Conforme o comunicado, o comitê identificou problemas de transparência nos procedimentos adotados pela empresa e apontou que as questões relacionadas à campanha de Lula deveriam ter sido encaminhadas a uma equipe interna de revisores especializados.
A referência ao posicionamento do próprio comitê reforça os questionamentos da ABI sobre os mecanismos utilizados pela Meta para decidir quais conteúdos permanecem disponíveis, quais são bloqueados e quais recebem maior alcance nas redes sociais. A entidade considera especialmente preocupante a possibilidade de que decisões de moderação e sistemas automatizados de recomendação estejam produzindo efeitos distintos sobre as candidaturas presidenciais.
O advogado Claudio de Souza Neto foi indicado como responsável pela ação civil pública proposta pela ABI. A iniciativa busca levar ao Judiciário as denúncias envolvendo a atuação da Meta durante a campanha presidencial.
As suspeitas apresentadas pela associação abrangem tanto os bloqueios de perfis e páginas quanto os mecanismos de distribuição de conteúdo e a utilização de inteligência artificial nas plataformas digitais. A Meta controla três dos principais serviços de comunicação e redes sociais utilizados no Brasil: WhatsApp, Instagram e Facebook.
Por isso, eventuais restrições de conteúdo ou alterações nos sistemas de recomendação podem afetar a circulação de informações políticas durante o período eleitoral.
Brasil 247