Abacaxi, melancia e mais: estudo revela que a parte mais nutritiva de 10 vegetais costuma ir para o lixo

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Fonte da notícia: Extra Extra

Descartar a cascas, peles, talos e sementes de frutas e vegetais pode significar jogar fora a parte mais nutritiva do alimento, capaz de salvar não só a sua saúde, mas como o planeta também. Como ser feliz: confira dicas dos pioneiros da ciência do bem‑estar

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É o que afirma, pelo menos, um novo estudo do King's College London, que revelou que partes de vegetais que costumam ir para o lixo contém até quatro vezes mais fibras do que as partes que tradicionalmente comemos, oferecendo um caminho prático para melhorar a saúde e combater o desperdício doméstico.

Ele descobriu que os componentes "da raiz à ponta", que, normalmente, jogamos fora, se mostraram mais nutritivos do que as partes que comemos em 10 de 12 casos diferentes. Como estudo foi feito?

Para realizar a pesquisa, os cientistas britânicos pediram que um chefe de cozinha preparasse 12 alimentos frescos, como beterraba, pimentão, brócolis, abóbora, kiwi, melancia e alho-poró. Os cientistas separaram a polpa das partes descartadas (cascas, talos e sementes) e mediram quimicamente a quantidade de fibras solúveis e insolúveis em cada uma.

Ao mesmo tempo, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, os pesquisadores realizaram 6 grupos de conversa com 40 participantes (estudantes e funcionários universitários). Eles debateram o conhecimento geral sobre fibras, fontes de informação de saúde e a disposição em comer receitas feitas com talos e cascas.

Até cinco vezes mais nutritivo Em 10 dos 12 alimentos, a parte mais valiosa era, exatamente, a que jogamos fora: a casca da melancia, por exemplo, contém pouco mais de 2 gramas de fibra a cada 100 gramas de alimentos, o mesmo que uma fatia de pão integral.

No caso do abacaxi, o “coração” e a pele continham até cinco vezes (455%) mais fibras do que a “carne”. Por outro lado, talos do brócolis continham 28,4% menos fibras do que as flores que normalmente comemos — portanto, neste caso, a maioria das pessoas já está consumindo a parte mais rica em fibras.

“A variação no teor de fibras entre as partes dos alimentos que consumimos e as que a maioria descarta foi impressionante”, afirma a líder do projeto, Rachel Gibson, professora de Nutrição e Dietética do Departamento de Ciências Nutricionais do King’s College London. Segundo ela, a parte dos alimentos — analisados no estudo — que jogamos foram representa entre 25 a 48% do peso total dele: “Isso não é apenas uma perda nutricional, mas também financeira; você está efetivamente jogando fora uma parte substancial daquilo que pagou”, afirma.

Os 10 alimentos em que a parte descartada superou a polpa em fibras Nestes 10 itens, as cascas, talos ou sementes apresentaram maior concentração de fibra alimentar total (TDF) por 100 gramas do que a parte consumida tradicionalmente:

Abacaxi (casca e miolo): +453,7% de fibras em relação à polpa (6,64 g vs. 1,2 g/100 g)

Melancia (casca/parte branca): +425,5% de fibras em relação à polpa (2,10 g vs. 0,4 g/100 g)

Abóbora-menina (casca, sementes e miolo): +362,7% de fibras em relação à polpa (9,26 g vs. 2,0 g/100 g)

Pimentão (talo, sementes e miolo): +233,8% de fibras em relação ao corpo (6,68 g vs. 2,0 g/100 g)

Kiwi (casca): +195,0% de fibras em relação à polpa (7,96 g vs. 2,7 g/100 g)

Couve-flor (talo central e folhas): +112,0% de fibras em relação aos buquês (3,82 g vs. 1,8 g/100 g)

Aipo-rábano (casca): +83,6% de fibras em relação à polpa (6,79 g vs. 3,7 g/100 g)

Alho-poró (folhas verdes superiores e raízes): +76,8% de fibras em relação ao talo branco (4,95 g vs. 2,8 g/100 g)

Beterraba (casca): +40,0% de fibras em relação à polpa (3,64 g vs. 2,6 g/100 g)

Couve crespa (talo): +6,6% de fibras em relação às folhas (4,05 g vs. 3,8 g/100 g)

Entrevistados tinham medo da digestibilidade A pesquisa revelou um contraste curioso no comportamento do público.

A maioria das pessoas já sabe que vegetais e frutas são ricos em fibras e que cascas e talos concentram vitaminas valiosas. No entanto, na hora de colocar essas partes no prato, a teoria esbarra na prática.

Entre os 40 voluntários ouvidos nos grupos de discussão do estudo, a principal barreira relatada foi a preocupação com a digestibilidade de partes mais duras, acompanhada por um "desconforto mental" diante da ideia de comer o que normalmente vai para o lixo. "Sei que há muitas fibras e nutrientes nas cascas.

Mas há algo em comê-las que simplesmente não me cai bem", admitiu um dos participantes da pesquisa. Por outro lado, o estudo descobriu que o maior incentivo para mudar esse hábito não é a consciência ambiental, mas sim o cuidado com a própria saúde.

Embora o combate ao desperdício de alimentos seja um tema frequente, os entrevistados destacaram que a busca por mais fibras e por um intestino saudável funciona como um motor muito mais forte para aceitar cascas e talos nas refeições. Para muitos, a virada de chave aconteceu ao perceberem que, ao jogar fora essas partes, estavam literalmente descartando nutrientes pelos quais já haviam pago no mercado.

“Curiosamente, os participantes consideraram os benefícios nutricionais – particularmente o teor de fibras – como um motivador mais forte do que a sustentabilidade ambiental ao avaliar a adoção de uma alimentação que aproveitasse todas as partes do alimento”, acrescenta a autora principal, Georgia Browne (Assistente de Pesquisa, King’s College London).

Publicação Original Extra extra.globo.com
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