A volta do glow: por que a maquiagem agora quer uma pele que parece real

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Depois de anos em que bases de alta cobertura, contornos marcados e iluminadores intensos dominaram a maquiagem, a pele voltou a querer respirar. A luminosidade ganha espaço em uma versão mais discreta, espalhada pelo rosto e integrada à própria textura, criando a impressão de frescor e hidratação. Em vez de parecer resultado de uma camada extra de produto, o brilho agora busca reproduzir o viço natural. Rock in Rio 2026: as maquiagens que vão muito além do básico nos shows Blush tailoring: conheça a técnica que cria uma cor sob medida para a sua pele Looksmaxxing: até onde vai a busca por uma aparência perfeita Sardinha no skincare? Entenda por que o ingrediente virou aposta de beleza A mudança acompanha a popularização dos cuidados com a pele. À medida que o skincare passou a ocupar mais espaço na rotina de beleza, a maquiagem também começou a assumir outra função: valorizar o resultado de uma pele bem tratada, sem necessariamente esconder sua textura. Ao mesmo tempo, a saturação de bases pesadas, contornos definidos e acabamentos ultramatte abriu espaço para produções mais leves. A indústria acompanhou esse movimento com fórmulas que aproximam tratamento e maquiagem. Bases com ácido hialurônico, séruns com cor e protetores solares de acabamento luminoso são alguns exemplos dessa combinação, que facilita a construção do efeito viçoso sem exigir tantas camadas. Para Franceiltom, maquiador e hairstylist do Werner Coiffeur, a principal diferença em relação ao glow de outras décadas está na forma como a luminosidade se distribui pelo rosto. "Enquanto a década passada focava em pontos metálicos intensos, o glow contemporâneo mimetiza a hidratação e a vitalidade biológica da pele", explica. Do brilho localizado ao viço A mudança pode parecer sutil, mas altera completamente o resultado. O efeito luminoso que marcou os anos 2010 costumava depender de partículas visíveis, pós metálicos e pontos específicos de luz aplicados sobre uma base mais construída. Hoje, a intenção é outra: a luminosidade deve se integrar à textura, sem necessariamente parecer um produto sobre a pele. O acabamento dewy ajuda a criar esse efeito. Em vez de partículas de brilho perceptíveis, a pele ganha uma aparência úmida e uniforme, como se a luminosidade viesse de dentro. Para chegar lá, o preparo passa a ter tanta importância quanto a maquiagem propriamente dita. A orientação de Franceiltom é começar pela hidratação adequada ao tipo de pele. Séruns iluminadores ou óleos leves podem ajudar na preparação, criando uma superfície favorável para a maquiagem sem a necessidade de recorrer a primers pesados. Na hora da base, menos pode ser mais. Produtos fluidos ou skin tints devem ser aplicados principalmente onde há necessidade de uniformizar o tom, deixando algumas áreas livres para que a textura natural permaneça aparente. Blush ganha espaço no lugar do contorno marcado A busca por uma aparência mais fresca também muda a maneira de usar o blush. O chamado efeito sun-kissed, com o pigmento distribuído pelas maçãs do rosto e pela ponte do nariz, cria uma impressão de rubor natural e acrescenta dimensão sem recorrer às sombras artificiais do contorno tradicional. Segundo o maquiador, o tom rosado ou avermelhado reproduz visualmente uma resposta natural do organismo à exposição solar moderada e à prática de exercícios, associada a uma aparência mais viçosa. A aplicação mais ampla também suaviza as feições e rompe com a rigidez de uma maquiagem desenhada ponto a ponto. O resultado é uma produção que parece menos calculada. Em vez de criar novos volumes ou desenhar o rosto, a maquiagem acompanha aqueles que já existem. Como fazer a pele parecer pele As texturas escolhidas têm papel importante nesse efeito. Blushes, bronzers e iluminadores cremosos ou líquidos tendem a se fundir melhor à superfície e evitam o acúmulo que pode deixar a produção pesada. Isso não significa abandonar completamente o pó. A ideia é usá-lo de maneira estratégica, apenas onde houver necessidade de controle da oleosidade. Franceiltom recomenda concentrar o produto na zona T, formada por testa, abas do nariz e queixo, preservando a luminosidade nas têmporas e nas maçãs do rosto. A técnica também ajuda a manter visíveis pequenas características que fazem parte da pele real. Poros, textura e diferenças naturais deixam de ser necessariamente algo a ser apagado e passam a integrar o acabamento. A pele glow voltou, mas diferente: entenda a nova tendência de maquiagem Magnific Uma tendência que vai além da tendência Para o maquiador, essa valorização da pele real não deve ser vista apenas como mais um ciclo passageiro da beleza. A mudança estaria relacionada tanto à evolução das fórmulas quanto a uma transformação no comportamento de consumo, com maior interesse por conforto, multifuncionalidade e aparência natural. Isso não significa que a maquiagem construída, o acabamento matte ou o contorno tenham deixado de existir. As estéticas convivem e podem voltar a ganhar protagonismo. O que parece mais permanente é a liberdade de não precisar cobrir completamente a pele para considerá-la bonita. A nova versão do glow, portanto, tem menos a ver com acrescentar brilho e mais com mudar a relação entre maquiagem e textura. A pele continua sendo preparada, uniformizada e valorizada, mas sem necessariamente esconder aquilo que a torna reconhecível como pele. É uma luminosidade menos sobre o efeito do produto e mais sobre a aparência de vitalidade que ele ajuda a construir.

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