Na Física, uma onda é uma perturbação que se propaga pelo espaço ou por um meio, transportando energia sem que haja, necessariamente, transporte líquido de matéria. As ondas podem assumir diferentes formas e apresentar propriedades distintas, de acordo com sua natureza e com o meio em que se propagam.
O laser, por sua vez, é uma aplicação particular dos fenômenos da luz. Seu nome vem da expressão inglesa Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation.
Ele produz um feixe de luz com características específicas, como elevada direcionalidade e coerência, permitindo concentrar a energia luminosa em uma direção bem definida. Da propagação de uma onda à concentração de um feixe de luz, a Física nos oferece imagens que podem inspirar uma reflexão sobre os fenômenos sociais.
No campo político, a onda popular é uma metáfora para a circulação de ideias, sentimentos e expectativas coletivas, que podem ganhar as ruas e encontrar no voto uma forma de expressão democrática. Podemos imaginar uma pequena pedra lançada à superfície de um lago.
Do ponto em que ela toca a água, formam-se ondulações que se propagam para fora, em círculos concêntricos. É a perturbação que se transmite pelo meio líquido, desenhando na superfície uma sucessão de ondas.
Essa imagem nos permite estabelecer uma metáfora com o processo político entre o primeiro e o segundo turno da eleição de 2026. Uma manifestação popular pode começar em determinado ponto, alcançar novas pessoas, ocupar outros espaços e ganhar dimensão nas ruas.
Como as ondulações que se espalham pela água, a mobilização pode ampliar seu alcance e sua visibilidade à medida que mais cidadãos decidem participar. A comparação não significa que uma campanha eleitoral obedeça às mesmas leis de uma onda física.
Trata-se de uma imagem para pensar como sentimentos, ideias e expectativas podem circular socialmente e adquirir expressão coletiva. Nesse movimento, as ruas podem se tornar o cenário de uma participação crescente, enquanto o voto representa a possibilidade de expressar escolhas individuais no exercício da soberania popular.
Falando em Física, lembrei agora do físico Marcelo Gleiser, que declarou: “Eu vou votar no Lula”. Por quê? Em sua manifestação pública, Gleiser apresentou razões relacionadas ao respeito à dignidade humana e à dor alheia, à redução das desigualdades sociais, à educação digna e acessível, ao investimento em pesquisa científica e à preservação das florestas, dos rios e do litoral brasileiro.
O deputado André Janones pode ser apresentado, nesta reflexão, como um exemplo da propagação de uma onda de mobilização política, cujas mensagens alcançam diferentes cidadãos e repercutem no debate público. Essa propagação pode ser comparada a uma reação em cadeia: uma manifestação desperta outra, uma voz encontra novas vozes, e pessoas que compartilham determinadas preocupações passam a expressá-las coletivamente.
Para aqueles que se reconhecem nessa mobilização, a participação pública pode representar uma fonte de ânimo e de conforto diante das injustiças que percebem na sociedade. É a possibilidade de enfrentar as dificuldades de cabeça erguida, defendendo suas convicções e a importância do bem-estar social.
Nessa perspectiva, a preocupação com a Constituição, a soberania nacional e os rumos do Brasil ocupa lugar central na disputa política, como crítica ao projeto associado ao outro candidato representa um risco de um Brasil sem garantias constitucionais, neocolonial e sem soberania.
Brasil 247