Autoridades do Irã reforçaram nesta sexta-feira, 23, a capacidade do país de responder a possíveis novos ataques dos Estados Unidos, após o presidente americano, Donald Trump, ter dado a entender que Washington poderia retomar bombardeios após as eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
À imprensa estatal, o comandante-chefe do Exército iraniano, major-general Amir Hatami, afirmou que o Irã “alcançou um nível significativo de maturidade na tecnologia de drones e em sistemas não tripulados” e agora está “em uma posição melhor” para combater os Estados Unidos. “Avaliamos o inimigo e estamos cientes de suas consideráveis capacidades, mas, levando todos esses fatores em conta, nos preparamos para uma guerra assimétrica e adquirimos os equipamentos necessários para isso”, acrescentou Hatami.
Já o general Mohsen Rezaei, o principal responsável pela segurança do Irã, destacou que o país está preparado para realizar ataques retaliatórios contra um conjunto mais amplo de alvos na região. Continua após a publicidade
“Se a questão é se o Irã ainda tem capacidade para continuar as operações com mísseis e drones, a resposta é sim”, disse Rezaei em uma entrevista por escrito ao veículo de notícias Drop Site. Na quinta-feira, Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, já havia prometido atacar instalações petrolíferas, cabos submarinos, data centers e instalações de inteligência artificial (IA) em até sete países do Golfo Pérsico caso Estados Unidos e Israel retomem os bombardeios contra seu território.
Continua após a publicidade Planos de ataque
As ameaças iranianas ocorrem após a imprensa americana revelar que o Pentágono elaborou uma lista de possíveis alvos iranianos, incluindo instalações nucleares, bases de mísseis e estruturas petrolíferas. A ofensiva teria início depois das midterms, as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.
Washington também intensificou sua presença militar no Oriente Médio, com planos de mobilizar três porta-aviões, milhares de fuzileiros navais e caças até o início do próximo mês. Na segunda-feira, Netanyahu se reuniu com o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, para discutir uma eventual ação conjunta.
Na quarta-feira, 21, uma reportagem do jornal britânico Financial Times relatou que o premiê israelense montou planos para atacar o Irã no início deste mês, mas que Trump se opôs à retomada total dos combates antes das eleições americanas. Três pessoas familiarizadas com o assunto disseram ao diário que as Forças de Defesa de Israel (IDF) estavam prontas para realizar ataques no fim de semana de 10 de outubro contra instalações nucleares iranianas e alvos do regime, bem como infraestrutura civil, incluindo usinas de energia.
Continua após a publicidade Cálculo de Trump
A posição oficial do governo Trump é de que não deve haver novos ataques antes das midterms, possivelmente diante do risco de uma nova disparada do petróleo. O presidente declarou ainda que Washington mantém “conversas produtivas” com Teerã.
“Quero deixar claro a todos que não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social, na semana passada. “Estamos tendo conversas produtivas com a República Islâmica do Irã”, acrescentou, sem fornecer detalhes sobre o andamento das negociações.
A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, tem contribuído para a alta dos preços dos combustíveis, impulsionada pelas tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. As hostilidades entre os rebeldes hutis do Iêmen e a Arábia Saudita, maior exportador do combustível no mundo, também ampliam a instabilidade na região.
Continua após a publicidade O presidente americano enfrenta pressões para encerrar um conflito altamente impopular, que fez sua aprovação despencar a níveis historicamente baixos.
O Partido Republicano, em particular, teme possíveis repercussões políticas junto aos eleitores nas eleições de meio de mandato. Publicidade
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