Por Bruce WilliamPostado em 26 de outubro de 2026 Quem conhece a admiração de Robert Plant pela obra de J.R.R.
Tolkien poderia imaginar que "Misty Mountain Hop", lançada pelo Led Zeppelin em 1971, fosse mais uma viagem pela Terra-média. Afinal, as Montanhas Sombrias aparecem em "O Hobbit" e em "O Senhor dos Anéis", duas obras que alimentaram o imaginário do vocalista.
Mas a história por trás da composição tem muito mais a ver com a Inglaterra dos anos 1960 do que com as aventuras de personagens fantásticos. Incluída no quarto álbum do Led Zeppelin, a música nasceu de uma experiência relacionada à contracultura britânica, quando jovens hippies enfrentavam a repressão das autoridades por seus hábitos e pelo consumo de drogas.
Uma das referências foi uma manifestação pela legalização da maconha realizada no Hyde Park, em Londres, em julho de 1968, que terminou com confrontos entre participantes e policiais. "É sobre um grupo de hippies sendo preso, sobre os problemas que você pode encontrar quando está simplesmente passeando num parque numa bela tarde ensolarada", explicou Plant, em declaração reproduzida no Ultimate Classic Rock.
O vocalista completou sua explicação com uma referência a George Orwell, autor do romance distópico "1984": "Na Inglaterra, isso é compreensível, porque, onde quer que você vá para se divertir, o Grande Irmão nunca está muito longe". Para Plant, a vigilância e a interferência das autoridades faziam parte das dificuldades enfrentadas por uma geração que buscava viver de maneira diferente.
Na letra, o personagem encontra pessoas sentadas na grama, com flores nos cabelos, numa cena que remete diretamente ao movimento hippie. A tranquilidade desaparece quando surgem os policiais, e a experiência acaba alimentando o desejo de abandonar aquele ambiente para procurar um lugar mais livre.
É nesse momento que aparecem as montanhas mencionadas no título, permitindo uma aproximação entre a paisagem do País de Gales e o universo de Tolkien. Musicalmente, "Misty Mountain Hop" também teve uma origem curiosa.
John Paul Jones contou que começou a desenvolver a composição enquanto brincava com ideias num piano elétrico, antes de apresentar o resultado aos companheiros. Jimmy Page, por sua vez, recordou que havia criado a introdução e que Jones acrescentou os acordes do refrão.
A faixa foi gravada durante as sessões do quarto álbum e acabou escolhida para abrir o segundo lado do LP. Apesar da origem ligada à repressão policial, Plant também via na música uma expressão dos ideais de paz e tranquilidade daquela geração.
Em entrevista à Rolling Stone, em 1975, rejeitou a ideia de que essas aspirações fossem apenas bobagens hippies ultrapassadas: "A essência de tudo aquilo era o desejo de paz e tranquilidade, de uma situação idílica. É tudo o que alguém poderia querer".
Décadas depois, Plant reconheceria que algumas referências da letra soavam bastante datadas, especialmente quando voltava a cantá-la em sua carreira solo. Ainda assim, continuava apreciando a força da composição.
Aquela mistura de rock pesado, espírito hippie e referências literárias acabou transformando uma reclamação contra a polícia inglesa em uma das faixas mais conhecidas de "Led Zeppelin IV."
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