'A Leste do Éden' é minissérie imperdível na Netflix. Saiba por quê

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Clica aqui e vem me seguir no Instagram e comentar a série Vou abrir esse texto com um elogio — não encontro uma maneira mais justa de começar: “A Leste do Éden” é um arrebatamento.

Não à toa, a série alcançou rapidamente o topo do ranking das produções mais vistas na Netflix pelo mundo. É um daqueles casos raros em que um clássico da literatura chega à tela sem frustrar o público exigente que duvida que uma transposição vá acontecer sem sacrifícios.

A emoção provocada pelo livro de John Steinbeck está toda lá. São sete episódios.

Não perca. O romance de mais de 600 páginas teve outra existência famosa no cinema.

Em 1955, Elia Kazan dirigiu “Vidas amargas”. O filme estrelado por James Dean era a adaptação do terço final do livro.

A minissérie é criada por Zoe Kazan, neta de Elia. A versão dela abraça a história inteira.

É quase uma ousadia, mas que bom que ela arriscou. O roteiro preserva a força dos personagens centrais da obra de Steinbeck e expande a participação de uma figura em especial, Lee (Hoon Lee).

Vou falar dele mais adiante. Florence Pugh/East of Eden

Divulgação A produção é um novelão ambicioso, mas assumidamente feito para a televisão, sem constrangimentos.

Não há acenos para a alta cultura (e isso não significa barateamento, ao contrário). Reconhecemos elementos irresistíveis (suspense, lágrimas, drama familiar, superação e violência) recebendo um tratamento que funciona bem no streaming.

A trilha sonora marca a ação, o elenco reúne estrelas e os figurinos e cenários são suntuosos. A câmera passeia teatral por paisagens lindas, mas não abandona um certo didatismo.

Há muitos planos fechados para pontuar e explicar certos acontecimentos. As primeiras cenas já prendem.

Elas são ambientadas no Connecticut, numa fazenda isolada. Testemunhamos a chegada de Cathy (Florence Pugh, um expoente da sua geração de atrizes).

Ela foi espancada. Se arrasta até a varanda da casa, com o rosto desfigurado.

É socorrida por Adam Trask (Christopher Abbott), apesar dos protestos do irmão dele, Charles (Mike Faist, numa atuação impressionante). A ação se desenrola em mais de uma cronologia e, quando ela recua no tempo, entendemos que os rapazes são filhos do mesmo tirano (Tracy Letts) e de mães diferentes.

Há entre eles um laço positivo, mas atravessado pela rivalidade estimulada pelo pai. A história ecoa o Antigo Testamento e alude à inveja que levou Caim, o primogênito de Adão e Eva, a matar seu irmão Abel.

Lee (Hoon Lee)/East of Eden COURTESY OF NETFLIX

O enredo se apoia em sentimentos universais e em mitos atemporais. Questionamentos morais estão em jogo o tempo inteiro.

Há personagens cruéis e relações neuróticas. Em contraposição, o “coração de mãe” da trama é de um personagem masculino, Lee.

O rapaz passa a trabalhar na casa de Adam num momento de profundo sofrimento e ilumina tudo com seu afeto. O enredo atravessa décadas e acompanha gerações.

“A Leste do Éden”, na tela, como na literatura, é um épico delicioso.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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