A diferença entre o Roupa Nova e o RPM que explica os 45 anos de banda, segundo Kiko

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Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Gustavo MaiatoPostado em 31 de outubro de 2026 Manter seis músicos na mesma banda por quase meio século exige mais do que talento.

Exige regras claras sobre dinheiro. Em entrevista ao canal Música em 360, Kiko e Ricardo Feghali, do Roupa Nova, explicaram por que o grupo não seguiu o caminho de outras bandas dos anos 1980.

Desde meados dos anos 2000, todas as músicas do Roupa Nova têm os direitos autorais divididos em partes iguais entre os integrantes, não importa quem tenha composto. Para mostrar o que esse acordo evita, Kiko citou o RPM.

"Se você for ver as bandas de 1980, a maioria, eu não vou dizer que é por causa disso, mas pode ser. O RPM, a maioria das músicas era do Paulo Ricardo.

Então fica aquela coisa: ele tá de BMW, de fusquinho, aquele negócio. É humano", afirmou Kiko, ao comentar como a diferença de ganhos entre integrantes desgasta a convivência ao longo dos anos.

A proposta de dividir tudo partiu de Nando. Pela lógica tradicional, Feghali e o próprio Nando ficariam com a maior fatia, já que escreviam a maior parte das letras.

Em um dos discos, Nando chegou a brincar que tinha "sete metades", ou seja, mais parcerias que todo mundo, e mesmo assim sugeriu rever o modelo. Os créditos seguem registrados em nome de quem compôs, mas o contrato assinado por todos garante a mesma parte a cada um e tira a competição interna de cena.

Feghali, por sua vez, vê a convivência como o maior desafio de qualquer banda. "A banda é difícil, né? Porque são pessoas diferentes, com personalidades diferentes, e pessoas que querem coisas diferentes.

A gente tem esse problema. Nós estamos 45 anos juntos.

Nós somos pessoas diferentes, com opiniões diferentes, e a gente são vários sócios numa empresa", disse. Por isso, as decisões passam por votação, e vence o que for melhor para o Roupa Nova, não para um integrante específico.

Nos empates, Kiko costuma ser o fiel da balança, e Feghali brincou que o colega mudava de voto "mediante Pix". O guitarrista confirmou a fama e lembrou uma discussão de 15 minutos sobre um arranjo em ré maior ou si menor, encerrada quando ele simplesmente trocou de lado para destravar o trabalho.

Os dois também relembraram uma votação sobre troca de gravadora decidida por 5 a 1. O integrante vencido pediu que os colegas pensassem melhor, e a reavaliação mudou o rumo do grupo, para melhor, segundo eles.

O processo criativo também passou por mudanças. Nos lançamentos recentes, o grupo trocou o álbum por EPs de seis faixas, cada uma escolhida por um integrante.

A música de trabalho (a faixa escolhida para divulgação) sai de uma pesquisa feita na internet pelo departamento de marketing, com trechos curtos de cada canção, numa ideia de Kiko que Feghali completou. É Feghali também quem monta o roteiro dos shows, sempre consultando os colegas, como no espetáculo "Simplesmente", que vai virar audiovisual.

A dupla ainda lembrou a era das trilhas de novela. O Roupa Nova emplacou quase 40 músicas na TV, mas o sucesso dependia do personagem: se ele não decolasse, a canção afundava junto.

Perguntados se repetiriam as escolhas, disseram não se arrepender de nada. "A gente é maluco, mas nós não somos malucos a esse ponto.

A gente tem cabeça de grupo, essa coisa de cabeça de grupo. A gente pensa junto", resumiu um dos músicos.

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