O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), deu uma cutucada no seu desafeto Nunes Marques, hoje presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao comentar o comportamento do Poder Judiciário durante as eleições nacionais, encerradas no último dia 25. “As eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam.
Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático”, postou em suas redes sociais. Depois, ele faz uma referência mais explícita a Nunes Marques, sem citar nominalmente o presidente do TSE.
“A institucionalidade, entretanto, não deveria precisar ser resgatada a cada eleição. De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe.
Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável”, escreveu.
As eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam. Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático.
A… — Gilmar Mendes (@gilmarmendes) November 3, 2026
Continua após a publicidade Nesse caso, a referência é direta ao episódio que marcou o processo eleitoral no dia da votação do segundo turno, quando Nunes Marques demorou a decidir sobre denúncias, feitas pela campanha de Lula, de que estava havendo boicote na oferta de ônibus em cidades como Salvador e São Paulo, o que acabou levando o ministro Cristiano Zanin Martins, do STF, a conceder uma liminar determinando a extensão da votação por duas horas em todo o país.
Gilmar Mendes e Nunes Marques já vinham externando — e escalando — suas desavenças desde setembro, quando veio a público que trocaram mensagens duras no WhatsApp em razão da crise aberta na Corte com a divulgação, pelo ministro André Mendonça, de relatórios de investigação sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master.
Continua após a publicidade Durante o processo eleitoral, ficou claro que a cúpula do Judiciário brasileiro está dividida entre as alas mais próximas a Lula, com ministros como Moraes, Gilmar, Flávio Dino e Zanin, e outra indicada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (Nunes Marques e André Mendonça, que também têm apoios pontuais de Luiz Fux).
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