Por Bruce WilliamPostado em 28 de outubro de 2026 Quando o Guns N' Roses começou a ganhar espaço em Los Angeles, em meados dos anos 1980, o hard rock local estava dominado por bandas de cabelos armados, roupas extravagantes e músicas sobre festas, mulheres e excessos.
Slash e seus companheiros também não eram exatamente discretos, mas procuravam construir uma identidade diferente daquela que se tornara praticamente obrigatória na Sunset Strip. Isso, entretanto, não impedia o guitarrista de reconhecer qualidades em alguns representantes daquela cena.
Uma das bandas que conquistaram seu respeito foi o Mötley Crüe. Formado em 1981 por Nikki Sixx, Tommy Lee, Mick Mars e Vince Neil, o grupo misturava elementos do glam rock com uma postura agressiva herdada do punk.
O resultado aparecia em músicas como "Live Wire", "Looks That Kill" e "Shout at the Devil", que ajudaram a estabelecer a reputação do quarteto antes de sua transformação numa das maiores atrações comerciais do rock americano. Ao comentar o grupo no livro "The Heroin Diaries", de Nikki Sixx, publicado em 2007, Slash fez uma comparação bastante expressiva: "O Mötley Crüe era o Sex Pistols dos Estados Unidos.
Musicalmente, tinha canções marcantes e letras legais, mas tudo girava em torno da atitude e da imagem". O elogio não parou aí.
"Eles eram a única banda, talvez com exceção do Van Halen, que tinha alguma sinceridade e levava a sério o que fazia", acrescentou o guitarrista de acordo com a Far Out, deixando claro que, para ele, a aparência extravagante do Mötley Crüe não significava necessariamente falta de autenticidade.
A comparação com os Sex Pistols tinha uma razão. O grupo britânico havia transformado irreverência, provocação e comportamento imprevisível em elementos fundamentais de sua identidade.
O Mötley Crüe, embora musicalmente estivesse muito mais próximo do hard rock, também cultivava uma imagem desafiadora, que frequentemente ultrapassava os limites do palco. Slash enxergava naquele comportamento uma ligação com a energia do punk, apesar das diferenças entre os dois estilos.
As histórias das duas bandas americanas acabariam se cruzando de outras maneiras. Guns N' Roses e Mötley Crüe frequentavam os mesmos ambientes em Los Angeles, e Slash conheceu de perto os excessos que marcaram a trajetória de Nikki Sixx.
Em 1987, ambos enfrentavam problemas graves com drogas, período que o baixista documentaria em seu livro. As semelhanças entre as experiências dos músicos iam muito além das guitarras e dos shows.
Curiosamente, Slash encontrou no Mötley Crüe uma qualidade que considerava rara numa cena frequentemente associada à aparência e ao desejo de alcançar a fama: uma banda que acreditava naquilo que fazia. Para o guitarrista, os cabelos, as roupas e as provocações podiam até chamar a atenção, mas era preciso haver boas músicas e convicção por trás de tudo aquilo.
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