O barulho veio de madrugada, em cima do telhado e em cima da lavoura. O balanço preliminar da Defesa Civil do Rio Grande do Sul saiu nesta quarta-feira (4).
Publicado pela Rádio Progresso, soma 64 ocorrências em 62 municípios gaúchos depois dos temporais com granizo e vento. Do lado catarinense, a Defesa Civil de Santa Catarina contou 19 cidades com estragos desde domingo e 661 casas atingidas, segundo o Jornal Razão.
Casa a gente cobre com lona. Lavoura, não.
O granizo pegou milho que ainda estava crescendo, fumo, trigo e canola. Agora o produtor tem uma ordem certa a seguir antes de mexer no que sobrou.
No Rio Grande do Sul, das 62 cidades do balanço, 55 tiveram algum dano. Ao todo, 12.528 pessoas foram afetadas, segundo o extrato reproduzido pelo Portal de Camaquã.
Ninguém morreu. Quatro pessoas ficaram feridas e 51 ficaram desalojadas, de acordo com o mesmo balanço publicado pelo Portal de Camaquã.
As cidades em que o granizo foi o estrago principal aparecem assim no extrato da Defesa Civil gaúcha: Somando só essas quatro cidades, são 543 casas com estrago de granizo e 2.240 pessoas afetadas.
A soma foi feita a partir dos números do balanço. Em Passa Sete, o que mais pesou foi o vento, com 4.132 pessoas afetadas.
Em Júlio de Castilhos, 141 casas ficaram destelhadas, informou a Rádio Progresso. Em Santa Catarina, Fraiburgo teve o maior estrago, com cerca de 400 casas atingidas, e Paraíso contou 130, segundo o Jornal Razão.
Em Anita Garibaldi, o granizo danificou o hospital, o CRAS e escolas. O milho foi o que mais apanhou no Rio Grande do Sul.
O diretor técnico da Emater, Mateus Rocha, disse à GZH que mais de 20 municípios tiveram impacto forte. O pior foi no milho, com perda também no trigo e no tabaco.
A hora não podia ser pior. Pelo levantamento da Emater citado pela GZH, 95% do milho gaúcho estava em desenvolvimento vegetativo.
É a fase em que a planta ainda está crescendo. Ricardo Meneghetti, presidente da Apromilho, a associação dos produtores de milho, resumiu à GZH o que se viu no campo: “por onde pegou, prejudicou muito”.
A lista da Emater vai do Norte ao Centro do estado. Nela estão Júlio de Castilhos, Passo Fundo, Marau, Tapera, Espumoso, Tapejara e Nova Prata, de acordo com a GZH.
Na região de Tapera e Espumoso, a lavoura de milho ficou deitada no chão depois do temporal, mostram as imagens publicadas pelo Compre Rural. No fumo, a pancada caiu em cima de quem planta tabaco no interior.
Em Jaguari, na Região Central, uma única propriedade da Linha 09 contou estrago em cerca de 25 mil pés de fumo, informou a Rádio Missioneira. Em Herveiras, o coordenador da Defesa Civil, Lucas Wagner Müller, contou à Gaz que as pedras grandes caíram por volta da meia-noite e meia.
Para ele, não houve localidade sem prejuízo nas plantações de tabaco. Em Sinimbu, choveu mais de 76 milímetros.
O coordenador da Defesa Civil, Tiago Thomé, estima que de 30% a 40% das localidades foram atingidas, segundo a Gaz. Em Relvado, no Vale do Taquari, as pedras eram maiores que um ovo de galinha.
Caíram em Linha Salvação, Capoeirinhas e Volta Barreto, conta o Jornal Força do Vale. Em Boqueirão do Leão, a Defesa Civil contou mais de 50 casas danificadas.
Os estragos em fornos de fumo e galpões ainda estavam sendo levantados, segundo o Correio do Povo. Em Santa Catarina, o fumo do Alto Vale e do Planalto Norte também foi castigado.
Em Santa Terezinha, um produtor filmou a lavoura destruída e desabafou no vídeo publicado pelo ND Mais: “Não sobrou uma folha, não sobrou nada”. Em Itaiópolis, agricultores da localidade da Baía relataram que praticamente toda a plantação de tabaco foi dizimada pelas pedras, segundo o Primeira Página SC.
Monte Castelo e Papanduva também tiveram granizo grosso no interior. O Proagro é a garantia do governo para quem plantou com crédito rural de custeio.
O granizo está na lista de eventos cobertos, desde que a lavoura já tenha nascido. É o que diz o resumo de instruções do Banco Central, que administra o programa.
O passo a passo do Banco Central para quem teve perda é este: O mesmo documento avisa que demorar a fazer a Comunicação de Perdas prejudica a perícia.
Na prática, primeiro o produtor avisa o banco, depois mexe na lavoura. Se o pedido for negado, o prazo para entrar com recurso é de 30 dias.
Uma exceção vale para quem tem pomar. Perdas por granizo em ameixa, maçã, nectarina e pêssego que foram enquadradas com estrutura de proteção contra granizo não têm cobertura, diz o Banco Central.
Quem é agricultor familiar do Pronaf entra no Proagro Mais, a versão do programa para esse público. O recurso contra a decisão vai para a Comissão Especial de Recursos, a CER, explica o Ministério da Agricultura.
Se o banco não der resposta, o produtor pode registrar reclamação no Banco Central. Para quem tem seguro rural, as informações do programa ficam no site do Ministério da Agricultura.
Em 2 de outubro, o ministério lançou ali uma página sobre o El Niño com crédito rural, seguro rural, Zarc e assistência técnica. A Emater já recebe pedidos de laudo de perdas por granizo e temporal.
O sistema de registro de perdas está aberto, contou Mateus Rocha à GZH. O laudo registra por escrito o que a lavoura perdeu.
Para o produtor, é o papel que mostra o tamanho do estrago na roça. Em Santa Catarina, Fraiburgo e Paraíso decretaram situação de emergência e pediram ajuda humanitária ao Estado, segundo o Jornal Razão.
No Rio Grande do Sul, a prefeitura de Boqueirão do Leão avaliava decretar situação de emergência, informou o Correio do Povo. Lá, choveu 115 milímetros em pouco tempo.
A Defesa Civil de Santa Catarina publicou nesta quarta o Aviso Especial nº 195. A previsão era de temporais com granizo, vendavais e chuva volumosa.
O Inmet mantinha alerta de grande perigo para os 295 municípios catarinenses até as 23h59 de quarta, segundo o Jornal Razão. No Rio Grande do Sul, a Defesa Civil emitiu na madrugada desta quarta um alerta de condição severa perto de Nova Prata e Guaporé.
Era tempestade com granizo grande e risco muito alto de destelhamento. Na terça, o governo do estado já tinha alertado para vendaval e granizo grande perto de Sananduva.
Para quem perdeu a lavoura, a ordem é a mesma: avisar o banco ou a cooperativa, pedir o laudo e esperar o perito antes de colher. A roça se replanta, mas o direito à cobertura depende desse caminho.
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