537 votos decidiram a presidência dos EUA. Hoje o Brasil vota com as pesquisas apertadas, e a história mostra o que acontece nessas noites

537 votos decidiram a presidência dos EUA. Hoje o Brasil vota com as pesquisas apertadas, e a história mostra o que acontece nessas noites - Foto
Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

O Brasil vota hoje com as pesquisas em empate técnico. Dos 537 votos da Flórida aos 44 mil do Peru, as eleições mais apertadas da história mostram o que acontece quando a diferença é mínima.

Mais de 150 milhões de brasileiros estão aptos a votar neste domingo para escolher entre Flávio Bolsonaro e Lula. Pelas pesquisas mais recentes, a diferença cabe na margem de erro.

Eleições assim têm uma história longa, e ela ensina mais sobre instituições do que sobre candidatos. Desde 1989, só três das nove eleições presidenciais brasileiras tiveram diferença abaixo de 7 pontos.

A mais apertada foi a de 2022, com 1,8 ponto (50,90% a 49,10%, ou 2.139.645 votos). Depois vêm 2014, com 3,28 pontos, e 1989, com 6,06.

Em 2022, os votos brancos e nulos (5,7 milhões) superaram a diferença entre os candidatos. No primeiro turno deste ano, Flávio terminou com 47,03% e Lula com 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto.

O comparecimento foi de 78,92%, o que significa que cerca de 30 milhões de eleitores ficaram em casa, bem mais que a diferença entre os dois. O caso mais famoso é o dos EUA, em 2000.

George W. Bush venceu na Flórida por 537 votos em quase 6 milhões (0,009%) e levou a Presidência pelo Colégio Eleitoral, mesmo com Al Gore tendo mais de 540 mil votos a mais no total do país.

Foram 36 dias de recontagens, disputas sobre cédulas e uma decisão da Suprema Corte que encerrou o processo. A crise levou à Lei Help America Vote Act, de 2002, que financiou a troca das máquinas de cartão perfurado.

Em 2020, a história se repetiu em escala menor. Joe Biden fechou o Colégio Eleitoral com margens de 11.779 votos na Geórgia, 10.457 no Arizona e 20.682 em Wisconsin, cerca de 43 mil votos somados nos três estados.

Em 2021, Pedro Castillo venceu Keiko Fujimori por 44.263 votos, 50,13% do total. A candidata derrotada alegou fraude, e as autoridades eleitorais rejeitaram as acusações.

A proclamação do resultado só veio semanas depois da votação, em julho. O país passou o mês de junho em tensão, com manifestações dos dois lados.

Na Áustria, em 2016, o candidato verde Alexander Van der Bellen venceu o segundo turno por cerca de 31 mil votos. O Tribunal Constitucional anulou a votação por irregularidades na contagem dos votos pelo correio, e a eleição foi repetida meses depois.

A lição é que, quando a margem é mínima, qualquer falha de procedimento ganha peso, e a Justiça passa a fazer parte da apuração. O episódio mais curioso foi numa disputa legislativa na Virgínia, em 2017.

Depois de recontagem e decisões judiciais, a corrida terminou empatada em 11.608 a 11.608. Pela lei do estado, o vencedor foi sorteado: os nomes foram colocados em rolos de filme fotográfico, dentro de uma tigela de cerâmica.

O republicano David Yancey foi o sorteado, e o resultado manteve a maioria da Assembleia em 51 a 49. Primeiro, a noite da apuração tem reviravoltas.

Em 2022, Lula assumiu a liderança às 18h44, com 67,76% das urnas apuradas. Em 2014, Dilma passou Aécio com 88,9% totalizadas.

Nos EUA, a contagem dos votos pelo correio, mais lentos, fez os números mudarem nos dias seguintes. Quem se apressa em declarar vitória ou fraude corre o risco de ser desmentido pela própria contagem.

Segundo, as regras valem mais que as promessas. Os países que passaram melhor por eleições apertadas tinham critérios de recontagem, prazos e instâncias de recurso definidos antes do voto, e não depois.

Terceiro, a abstenção é maior que a diferença. Em eleições decididas por 1 ou 2 pontos, quem fica em casa pesa mais que quem muda de lado.

E por fim, saber perder. A democracia não exige que o resultado agrade, exige que o processo seja aceito, vença quem vencer.

Isso vale para os dois lados e é o que torna um resultado apertado suportável. As urnas fecham às 17h, no horário de Brasília, em todo o país.

Cada uma imprime o boletim com o resultado da sua seção, e o TSE publica todos eles, o que permite a partidos, imprensa e eleitores conferir a soma. Se a diferença for pequena, vale a paciência: o número que importa é o que sai da totalização completa.

Na coluna da tarde, vamos ver como os outros países contam votos, e por que alguns sabem o resultado em horas enquanto outros levam dias.

Publicação Original ND Mais ndmais.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →