35 anos depois do tricampeonato, legado de Senna permanece vivo

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Fonte da notícia: CBN CBN

"Talvez Ayrton Senna tenha, de fato, roubado o fogo dos deuses." É o que está escrito no livro "Veloz como o Vento", do autor italiano Leonardo Guzzo. A obra conta histórias do piloto brasileiro em forma de romance, e a frase é uma referência ao mito grego de Prometeu, titã que roubou uma fagulha do fogo do Olimpo e levou à humanidade para que a civilização fosse desenvolvida a partir dali. E não é exagero pensar que um ídolo tão grande como Senna tenha um impacto semelhante no Brasil e no esporte. Ayrton Senna conquistou o terceiro e último título dele na Fórmula 1 no Grande Prêmio do Japão, no dia 20 de outubro de 1991, há 35 anos. Pouco mais de dois anos e meio depois, ele nos deixaria, no dia 1º de maio de 1994, após um trágico acidente numa corrida em Ímola, na Itália. De lá pra cá, o país nunca mais chegou tão perto da unanimidade em relação a um atleta brasileiro. Durante os mais de dez anos de carreira na Fórmula 1, Senna conquistou fãs que estão espalhados até hoje pelo Brasil e pelo mundo. A Torcida Ayrton Senna, primeiro fã-clube oficial do piloto, foi criada em 1988. A ideia de reunir o grupo veio após o Grande Prêmio de Mônaco daquele ano, quando o brasileiro estava na liderança com uma grande vantagem e acabou batendo porque se desconcentrou após o chefe de equipe da McLaren pedir a ele que desacelerasse. A Torcida Ayrton Senna surgiu, então, para apoiar o piloto que ficou abalado com o episódio. Vários membros do grupo acompanharam Senna em Grandes Prêmios no exterior e, em 1994, levaram até um bandeirão para o Autódromo de Interlagos. Depois da morte de Senna, o fã-clube ainda manteve a sede por cerca de 20 anos na Zona Norte de São Paulo. Hoje, o grupo se movimenta nas redes sociais e promove encontros em datas comemorativas. Um dos responsáveis pela torcida, atualmente, é o Marcus Vinicius de Vicenzo Vieira dos Santos. Ayrton Senna tem um papel fundamental na vida dele e da família: "O Ayrton corria, o Ayrton vencia, o almoço com a família ficava alegre, ficava feliz. Então eu lembro de abraços com meu pai, lembro de abraços em família, lembro de comemorar em família. Eu tenho uma filha, nasceu em 92. Eu tenho um vídeo dela onde eu filmo a primeira vez que ela conseguiu segurar a mamadeira sozinha e era um final de corrida com a narração por trás: 'Ayrton Senna do Brasil', com o Galvão narrando. Então as lembranças de domingo eram lembranças felizes também por causa do Ayrton." 35 anos depois do tricampeonato, legado de Senna permanece vivo Arquivo Pessoal Ele se lembra de momentos marcantes, como o segundo lugar do brasileiro no GP de Mônaco de 1984, que poderia ter sido vencido por Senna se a prova não fosse interrompida, de maneira discutível, por causa da chuva; a primeira vitória no Grande Prêmio de Portugal, em 1985; o dia em que Ayrton levantou a bandeira do Brasil, em 1986, após a derrota da Seleção Brasileira para a França na Copa do Mundo; a primeira vitória no Brasil com o carro preso na sexta marcha, em 1991; a prova de humanidade de Senna, em 1992, ao sair do carro na pista e desligar o motor do carro do piloto Eric Comas, desacordado, para evitar uma explosão após um acidente; e os três títulos mundiais. E não é só quem viu Senna nas pistas que tem carinho pelo piloto, não. A Lara Baptista tem 15 anos e nunca chegou a ver um brasileiro vencer uma corrida na Fórmula 1, mas cresceu ouvindo a família falar sobre Ayrton e passou a admirá-lo. Em 2024, quando o heptacampeão mundial Lewis Hamilton pilotou a McLaren de Senna em Interlagos, ela teve um gostinho do que era ver o brasileiro em ação: "Eu chorei muito e fiquei muito arrepiada, porque ver o carro que eu sempre ouvi falarem, o motor que eu sempre ouvi falarem, o carro na chuva que eu sempre ouvi falarem... vê-lo sendo pilotado, mesmo que não pelo Ayrton, foi algo que me emocionou muito. E acho que foi aí que eu percebi o quanto o Senna é uma inspiração e é super importante no automobilismo. E uma grande inspiração para mim." O próprio Hamilton nunca escondeu de ninguém que idolatra o piloto brasileiro. Em entrevista à TV Globo, o britânico disse que via Ayrton Senna como um herói: "Ele era um ícone, um líder e me inspirou a ser piloto de corrida. Eu queria ser o Superman — o Superman era demais — ou o Senna. E, até hoje, quando chego aqui, ainda sinto um carinho enorme pelo Ayrton. Ele continua me inspirando. E eu sempre quis fazer algo como ele." E ele é apenas um entre tantos pilotos que idolatram Senna. O alemão Michael Schumacher — maior campeão da história da Fórmula 1 ao lado de Lewis Hamilton — chorou numa coletiva de imprensa, no ano 2000, após igualar o número de vitórias do brasileiro na carreira e disse que aquilo significava muito para ele. O jovem italiano Kimi Antonelli, atual líder do Mundial de Pilotos da Fórmula 1, utiliza o número 12 em homenagem a Ayrton Senna e visitou o túmulo dele antes do Grande Prêmio de São Paulo em 2025. Um ídolo tão inspirador não poderia ficar apenas dentro do esporte. Senna deixou um legado para a cultura brasileira. A história dele virou tema de livros, filmes, séries e documentários. Na educação, o Instituto Ayrton Senna, fundado após a morte do piloto, desempenha um papel importante ao promover projetos de pesquisa científica, propostas pedagógicas e discussões de políticas públicas. Neste ano, Senna foi incluído no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, gravado em páginas de aço e exposto na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Talvez Ayrton Senna tenha, de fato, roubado o fogo dos deuses. Durante os 34 anos de vida, ele se tornou uma espécie de herói mitológico. E entregou o fogo em forma de alegria e esperança que ficarão para sempre na memória do povo brasileiro.

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