Dos 405 candidatos eleitos em 2022 que concorriam à reeleição na Câmara dos Deputados neste ano, 275 conseguiram um novo mandato, levantou o Valor a partir dos dados da própria Câmara e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o índice de reeleição considerando apenas as recandidaturas ficou em 67,9% e a taxa total de reeleição, considerando todos os 513 deputados, foi de 53,6%.
O primeiro índice está pouco acima da média histórica do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), de 65,61%, e foi maior que o registrado em 2018 e 2022, de 60,39% e 64,12%, respectivamente. Já a taxa de reeleição geral foi exatamente a média histórica desde 1990 divulgada pelo Diap.
Considerando tanto os eleitos em 2022 quanto os suplentes que ocuparam a cadeira ao longo da atual legislatura, foram 301 deputados reeleitos neste ano (58,6% do total de deputados), de acordo com a Câmara.
Dos deputados que foram reeleitos, três vão para o nono mandato na Casa e serão os mais antigos dentre os parlamentares. O levantamento do histórico de legislaturas considera apenas os que exerciam o mandato antes das eleições. São eles: o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), Cláudio Cajado (PP-BA) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Todos eles são vice-líderes de federações ou blocos parlamentares.
Chinaglia já foi presidente da Câmara entre 2007 e 2009, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e também já foi líder do governo do petista e da presidenta Dilma Rousseff. Tanto ele quanto Cajado vão para o nono mandato consecutivo desde 1995. Já Jandira ocupou o primeiro mandato em 1991 e não participou da 53ª legislatura, entre 2007 e 2011.
Outros oito deputados se preparam para ocupar a oitava legislatura: Osmar Terra (PL-RS), Sérgio Brito (PSD-BA), Damião Feliciano (União-PB), José Priante (MDB- PA), Júlio Cesar (PSD-PI), Lincoln Portela (PL-MG), Celso Russomanno (Republicanos-SP) e Ricardo Barros (PP-PR).
Em uma eleição marcada pela ascensão da extrema-direita, o PL manteve sua posição como a maior bancada da Câmara e chegou a 121 cadeiras, o maior número já ocupado por qualquer partido na Casa desde a redemocratização, quando o MDB elegeu 108 deputados em 1990. O resultado representou um aumento de 23 deputados ante a bancada atual, de 98 integrantes.
A sigla ainda teve os deputados federais mais bem votados da história - Nikolas Ferreira, em Minas Gerais, reeleito com mais de 3,1 milhões de votos, e Lucas Pavanato, vereador em São Paulo.
O PL, que ganhou a maior fatia do fundo eleitoral de R$ 4,96 bilhões, também foi o partido que mais conseguiu reeleger deputados, um total 56. Em seguida, aparece o PT, que reelegeu 39. O partido do presidente Lula, que disputa à reeleição no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), aumentou a quantidade de parlamentares na casa de 65 para 70, comparado a 2022.
Valor