Mark Zuckerberg, Jensen Huang e Elon Musk Montagem/Getty Images Mark Zuckerberg, CEO da Meta, Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da SpaceX e Tesla, conversaram recentemente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre suas preocupações em relação a um plano para criar um órgão regulador financiado pelo próprio setor, e conseguiram impedir o avanço da proposta, segundo pessoas familiarizadas com o assunto reportaram ao The Wall Street Journal. O que aconteceu? Demis Hassabis, cientista-chefe da Alphabet, controladora do Google, vinha apresentando a funcionários da Casa Branca, nas últimas semanas, a proposta de um grupo financiado pelo setor que estabeleceria padrões e evitaria danos.
Muitos executivos do setor apoiavam a ideia, mas Zuckerberg, Huang e Musk não, manifestando preocupação sobre quem seria escolhido para compor o órgão e sobre a possibilidade de concentrar poder na OpenAI, Anthropic e Google, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Os executivos conversaram separadamente com Trump nas últimas semanas sobre essas preocupações e sobre sua preferência pela atual abordagem menos intervencionista do governo, disseram as pessoas. Trump acabou não concordando com a criação de um órgão desse tipo, disseram as pessoas, frustrando alguns funcionários dentro da Casa Branca. Conflito entre assessores De acordo com o The Wall Street Journal, uma divisão entre os assessores de Trump para IA tem se intensificado. Tudo teria começado quando David Sacks, assessor de inteligência artificial da Casa Branca, convenceu o presidente Trump a cancelar, em maio, uma ordem executiva planejada que submeteria modelos de IA a uma análise governamental mais ampla. Altos funcionários do governo, entre eles Scott Bessent, secretário do Tesouro, e Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, foram pegos de surpresa e teriam ficado descontentes. Uma equipe da Casa Branca havia passado meses negociando para ampliar a supervisão da IA e consultado vários executivos do setor sobre a ordem. Wiles teria dito, segundo fontes, que Sacks havia convencido Trump a cancelar a ordem em uma ligação de última hora, enquanto Bessent estava preocupado com a possibilidade de ciberataques conduzidos por IA causarem estragos no sistema bancário do país. A pedido de Wiles e Bessent, Trump posteriormente assinou uma versão mais enxuta da ordem. Wiles, Bessent e o diretor nacional de Cibersegurança, Sean Cairncross, frequentemente defendiam uma fiscalização governamental maior. Sacks, investidor de venture capital, Zuckerberg e Huang estão entre os que frequentemente incentivam o presidente a manter uma abordagem menos intervencionista. Sacks ocupava inicialmente o cargo de funcionário especial do governo, o que fez com que o Escritório de Ética Governamental exigisse que sua empresa de venture capital se desfizesse de parte, mas não de todos, de seus investimentos em IA. O portfólio de sua empresa, avaliado em bilhões de dólares, inclui participações na SpaceX, de Elon Musk, e em diversas startups de IA. Sacks já havia investido na Meta, de Zuckerberg, além da Palantir e da Airbnb. Ele deixou o cargo de czar em março para se tornar copresidente de um conselho consultivo de tecnologia da Casa Branca.
Um sinal de alerta A prévia e o lançamento gradual do poderoso modelo Mythos, da Anthropic, em meados de abril, deram início a parte da mudança de postura dentro da Casa Branca, depois que funcionários perceberam que a ferramenta poderia ser usada para lançar ataques e representar ameaças à segurança nacional. Dentro do governo, o Mythos foi um "sinal vermelho piscando", disse um alto funcionário. Em julho, um ataque hacker da OpenAI à empresa Hugging Face, envolvendo centenas de agentes de IA atuando de forma coordenada, aumentou o temor de modelos que saíssem do controle entre funcionários. Desde então, funcionários da Casa Branca têm entrado regularmente em conflito com outros executivos de empresas de IA, que se opõem a muitas das iniciativas de regulamentação. Em alguns casos, os executivos recorreram diretamente a Trump, disseram as fontes. Apesar das preocupações de seus principais assessores e de grande parte do público, Trump continua firme na posição de que o país precisa acelerar o desenvolvimento da IA e continuar construindo os data centers que impulsionam o crescimento do setor, para manter a dianteira sobre a China e estimular a economia. "Há uma conspiração doentia acontecendo contra a IA e os data centers, e o único que está feliz com isso é a China. Quem ganhar a IA, ganha!", escreveu na segunda-feira em sua rede social Truth Social. Empresas de tecnologia e IA fizeram doações expressivas a Trump e a organizações ligadas a ele neste mandato. Altman, da OpenAI, participou repetidamente de eventos de arrecadação de fundos com Trump. Outro alto executivo da empresa, Greg Brockman, e sua mulher, Anna Brockman, doaram US$ 25 milhões. Huang, da Nvidia, doou dinheiro para o novo salão de festas da Casa Branca de Trump. A Meta e outras gigantes de tecnologia fizeram promessas semelhantes. Espera-se que Trump receba CEOs de empresas de IA na Casa Branca na próxima semana para discutir o tema, em uma reunião organizada com o presidente da Câmara, Mike Johnson. Huang está entre os CEOs esperados para um jantar de Estado com o líder chinês Xi Jinping. Mais Lidas
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