Zuckerberg lamenta que Instagram tenha demorado a identificar menores de 13 anos: 'Gostaria que tivéssemos feito isso antes'

 

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O diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, disse lamentar que sua empresa tenha demorado a identificar usuĂĄrios menores de 13 anos no Instagram. Zuckerberg presta depoimento nesta quarta-feira em um julgamento histĂłrico sobre vĂ­cio em redes sociais, no tribunal superior de Los Angeles.

"Eu gostaria que tivéssemos feito isso antes", declarou Zuckerberg.

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O dono do Facebook e Instagram foi convocado a depor em um processo contra as empresas Meta e Google, acusadas de projetar deliberadamente suas respectivas plataformas para tornar os usuĂĄrios mais jovens dependentes.

O executivo deve enfrentar uma série de perguntas sobre como a Meta equilibra a proteção de jovens usuårios em suas plataformas com o aumento da receita.

Zuckerberg, a quinta pessoa mais rica do mundo, Ă© o segundo executivo a testemunhar no julgamento em Los Angeles, iniciado em 9 de fevereiro, que gira em torno de uma mulher de vinte anos que culpa o Instagram, da Meta, e o YouTube, do Google, por anos de problemas de saĂșde mental.

O depoimento de Zuckerberg deve revisitar decisÔes importantes que ele tomou sobre escolhas de design do Facebook e do Instagram, estratégias da empresa relacionadas a crianças e adolescentes, além de comunicaçÔes internas sobre o potencial caråter viciante das plataformas.

Prova de fogo

O julgamento, que deve durar atĂ© o fim de março, servirĂĄ como teste crucial para milhares de outros processos que miram nĂŁo apenas Meta e Google, mas tambĂ©m TikTok e Snap. As duas Ășltimas nĂŁo participam do caso atual porque fecharam acordos confidenciais com os advogados da mulher, do Social Media Victims Law Center, com sede em Seattle, pouco antes do inĂ­cio do julgamento.

Embora as quatro gigantes das redes sociais neguem irregularidades e afirmem ter implementado salvaguardas robustas para usuĂĄrios jovens, elas enfrentam bilhĂ”es de dĂłlares em potenciais indenizaçÔes caso jĂșris decidam contra elas nos primeiros julgamentos.

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Mark Lanier, advogado da jovem autora do processo, disse aos jurados na abertura do julgamento que pretende “interrogar” Zuckerberg sobre as metas da empresa para atrair e reter usuários jovens e sobre como ele equilibra interesses comerciais com segurança.

Ele citou um memorando de 2015 no qual Zuckerberg delineou as metas da empresa para o ano seguinte e afirmou querer “reverter a tendĂȘncia entre adolescentes” e “aumentar o tempo gasto em 12%”.

“VocĂȘs vĂŁo ouvi-lo admitir, espero, que a tendĂȘncia entre adolescentes estava em queda e que ele ordenou Ă s suas equipes que a revertessem”, disse Lanier. “NĂŁo porque isso fosse bom para os adolescentes, mas porque era necessĂĄrio para a receita.” Eles tinham uma estratĂ©gia especĂ­fica”, continuou o advogado. “Chamavam de ‘estratĂ©gia para jovens’.”

'Estratégia para jovens'

Outros documentos tornados pĂșblicos anos depois por uma funcionĂĄria que se tornou denunciante mostraram que a Meta tambĂ©m enfrentava queda no uso entre adolescentes no Facebook, sua principal rede, o que levou funcionĂĄrios a traçarem estratĂ©gias para “otimizar” as plataformas para o pĂșblico jovem.

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Nos Ășltimos anos, atrair jovens adultos para o Facebook tornou-se prioridade, com ajustes nos algoritmos para exibir mais conteĂșdo de fora da rede de amigos e familiares do usuĂĄrio — estratĂ©gia popularizada pelo TikTok.

Lucro versus segurança foi um tema central no depoimento de 11 de fevereiro de Adam Mosseri, chefe do Instagram, que foi bombardeado com perguntas de Lanier sobre a decisão da empresa de suspender a proibição de filtros de fotos que reproduzem efeitos de cirurgia estética.

E-mails internos mostraram que Mosseri e Zuckerberg apoiaram a retirada da proibição mesmo depois de funcionários questionarem se os chamados “filtros de beleza” fariam mais mal do que bem.

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Lanier tambĂ©m questionou Mosseri sobre o quanto a empresa valorizava testar e estudar o impacto de determinado produto ou escolha de design nos usuĂĄrios antes de lançå-lo ao pĂșblico. O advogado destacou o lema original do Facebook, cunhado por Zuckerberg: “Move fast and break things” (“Aja rĂĄpido e quebre coisas”, na tradução livre), com a ideia de avançar rapidamente, ainda que isso implicasse cometer erros ou causar danos no caminho.

A Meta vem sendo criticada hĂĄ anos por supostamente falhar em proteger jovens online. Documentos internos revelados em 2021 mostraram que funcionĂĄrios sabiam que o Instagram poderia ter efeitos negativos sobre adolescentes, especialmente meninas.

Durante um julgamento antitruste da ComissĂŁo Federal de ComĂ©rcio (FTC) - agĂȘncia dos EUA responsĂĄvel por proteger consumidores e garantir a concorrĂȘncia no mercado -, em Washington no ano passado, outros documentos internos indicaram que sistemas automatizados do Instagram recomendavam que aliciadores de menores se conectassem com crianças no aplicativo.

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Zuckerberg jĂĄ precisou defender sua empresa publicamente antes. Em janeiro de 2024, durante uma audiĂȘncia no Congresso sobre segurança de jovens nas redes sociais, ele se levantou e pediu desculpas Ă s famĂ­lias de crianças que foram vĂ­timas de exploração sexual em plataformas de mĂ­dia social.

Recentemente, a empresa tem adotado medidas para melhorar as configuraçÔes de privacidade para adolescentes. No fim de 2024, lançou as chamadas “contas para adolescentes”, que restringem automaticamente conteĂșdo e algumas interaçÔes no Instagram para menores de 18 anos.

Em outubro, tambĂ©m alterou as configuraçÔes padrĂŁo de conteĂșdo no Instagram para o que descreveu como nĂ­vel “PG-13” para todos os usuĂĄrios com menos de 18 anos e agora limita que adolescentes mais jovens façam transmissĂ”es ao vivo na plataforma.