Zubeldía revela conversa sobre futuro com Mário e se declara: 'Hoje, minha vida é o Fluminense'
Após um bom início de temporada pelo Fluminense e um título de melhor técnico do Campeonato Carioca, Luis Zubeldía foi entrevistado pelo jornal argentino Olé e perguntado sobre o interesse em se testar fora do Brasil novamente, seja na Argentina ou no continente europeu, mas afastou qualquer possibilidade no momento, ao revelar estar em conversas com o diretor-geral e ex-presidente do tricolor, Mário Bittencourt, sobre o seu futuro com o clube carioca, além de ressaltar preferir "mil vezes" estar presente no Fla x Flu, do que em um duelo de menor prestígio no Velho Continente, como o Girona x Getafe.
— Argentina? É difícil agora pela fase da minha vida. E hoje minha vida é o Fluminense. Enquanto eu estava no São Paulo, a seleção equatoriana me procurou. Cheguei a conversar com o presidente da Federação. Eu sabia que a Copa do Mundo estava praticamente garantida, mas honrei meu contrato — diz o treinador. E continuou: — Sim, eu me precipitei (em assumir o Alaves-ESP, em 2017). Isso não me fez perder meu lugar, mas me fez parar de romantizar o sonho europeu. É nisso que estou focado agora. Coloco o Brasil acima de tudo.
Luis Zubeldía, técnico do Fluminense, em treino nesta sexta-feira
Lucas Merçon / Fluminense
O treinador argentino teve uma passagem relâmpago pela La Liga, com quatro derrotas e a demissão em um mês de trabalho (de meados de agosto a setembro). Agora, busca estabilidade no tricolor, o que admite ser rara no Brasil.
— Eu estava conversando sobre isso (estabilidade) com o diretor esportivo, que veio tomar um café. Eu disse a ele: "Mário (Bittencourt), se há uma coisa que aprendi, é que preciso sentir que vou ficar aqui por muito tempo, que vou decorar este apartamento do jeito que eu quiser. E se eu tiver que gastar um centavo, eu gasto, porque esta é a minha vida, não o que está por vir". Mário estava me olhando... Porque se eu pensar que os treinadores aqui duram, em média, três meses e meio, eu não vou a lugar nenhum.
O treinador também revelou ter rejeitado uma proposta do Santos antes de chegar ao tricolor por conta da proximidade do clube à zona de rebaixamento. A época, o argentino havia acabado de ser demitido pelo rival do Peixe, São Paulo.
— Se você se mantém na primeira divisão (brasileira), ganha uma vaga em um grande clube. Mas se você se arrisca... Santos e outro grande time me ligaram, mas eu não me atrevi porque estava muito perto do rebaixamento — disse.
Luis Zubeldía, técnico do Fluminense
Lucas Merçon / Fluminense
Cirurgia no coração
Em meio a tanta pressão, o treinador teve que parar forçadamente sua rotina para passar por uma angioplastia com stent no início do ano. Ele revelou que o momento foi conturbado.
— Foi intenso. Eu não tinha muita noção de que tinha quatro stents aos 45 anos. No começo, foi um choque, porque foi totalmente inesperado. Mas quando me acalmei, vi o lado bom, que tínhamos detectado o problema a tempo. Meu cardiologista sempre me repreende pela forma como encaro o futebol, pela paixão que sinto . As causas? Colesterol alto, fatores hereditários. Acertei em cheio com um exame chamado angiotomografia computadorizada. É incrível que eu esteja dando conselhos médicos, mas..." — disse.
Comemoração na vitória do Lanús contra o Flamengo
Com mais de 200 jogos na lateral do campo pelo clube argentino Lanús, o treinador também efalou sobre o desempenho de seu ex-clube contra o rival rubro-negro, pela Recopa Sul-Americana. Embora tenha admitido que o Flamengo seja "sem dúvida" o melhor time da América, comemorou o resultado do time com quem tanto se identificou em sua carreira.
— Foi lindo. No dia seguinte (à final), cheguei ao clube e me disseram: "Parabéns, Luis, seu Lanús está indo muito bem..." Naquela noite, me lembrei do meu pai, Magnor Antonio. Chamavam-no de Carozo em Santa Rosa. Ele não era torcedor, mas se tornou. Por quê? Porque deixou um garoto de 15 anos nas mãos da diretoria do clube. E quando eu ficava bravo, meu pai dizia: "Comporte-se, porque o clube te deu tudo." Em 2007, por causa de uma promessa, ele raspou o bigode que usava desde sempre. Hoje, represento a sua filosofia. Carrego a bandeira do Lanús há 17 anos, de diferentes lugares. Sou de La Pampa, mas me formei no Lanús. E quando os vejo levantando um troféu que nunca imaginamos... Só falta mais um. Ou dois. Pode até ser o Mundial de Clubes, haha. É bom que os torcedores estejam sonhando.
