Zoológicos usam pelúcias para acalmar animais que sofrem rejeição após nascimento

 

Fonte:


A história de um filhote de macaco, rejeitado após o nascimento, vem comovendo os usuários na internet, principalmente após o primata aparecer com uma pelúcia dada pelos próprios cuidadores. Punch, é morador do zoológico da cidade de Ichikawa, no Japão. Ele aparece em vários registros nas redes sociais tentando se aproximar de outros macacos, sem sucesso.

O caso ganhou ainda mais repercussão quando ele recebeu um macaco de pelúcia e passou a interagir com o objeto. A pelúcia foi usada para diminuir o estresse do animal e aumentar a sensação de proteção. Imagens mais recentes, no entanto, já mostram 'Punch' sendo acolhido por outros macacos do recinto.

Porém, a estratégia usada com o macaco não é nova. Em zoológicos do Brasil a prática é bastante usada pelos cuidadores, principalmente com primatas, que costumam ficar agarrados à mãe nos primeiros meses de vida. O uso da pelúcia é frequente em animais rejeitados ou que caíram do dorso da mãe e foram deixados. A técnica pode ajudar ainda bichos como Tamanduá-bandeira e bicho-preguiça.

O macaco 'Theo'

O Zoológico de São Paulo já registrou histórias semelhantes. O caso mais recente é o do macaco bugio 'Theo', que foi encontrado sozinho quando era filhote, em 2024. Para manter os cuidados e evitar o estresse, o macaco recebeu uma pelúcia dos cuidadores.

Macaco 'Theo', do Zoológico de SP, com sua pelúcia

Reprodução

Amanda Alves, bióloga de bem estar animal do Zoo SP,  trabalha há 18 anos com isso. Ela explica que as pelúcias devem ser escolhidas a dedo porque a textura, tamanho e outras características importam.

" A gente dá opção de escolha para o animal para ele escolher o mais agradável [...] a gente teve um Tamanduá-bandeira, por exemplo, que tinha uma pelúcia no formato de Tamanduá-bandeira, mas escolheu uma pelúcia de tartaruga. A gente também pode mudar o material para atender a necessidade de cada animal. Teve uma situação envolvendo um Gambá em que usamos uma bolsinha para imitar um marsúpio", disse.

Em Minas Gerais, Sandra Cunha, bióloga e gerente do Zoológico de Belo Horizonte, diz que a prática é adotada temporariamente, mas que o objetivo final é que o animal seja aceito pelo bando. Como aconteceu, por exemplo, com a filhotinha de macaco-prego 'Maria Tereza'.

"Ela não recebeu os cuidados da mãe e foi separada e criada longe da mãe. Mas foi só nesses primeiros meses de vida, porque depois já fizemos a transição, momento em que o indivíduo vai sendo acolhido por outros animais da mesma espécie", afirmou a especialista.

A comovente narrativa de 'Punch' na internet

Nos últimos dias, a história de Punch, o macaco japonês, viralizou nas redes. Posts usam até Inteligência Artificial para fazer o macaco narrar a própria história.

Diante disso, especialistas recomendam cautela. O veterinário Danilo Teixeira, membro da Sociedade Brasileira de Primatologia e professor universitário em Ilhéus (BA), ressalta que é fundamental lembrar que se trata de um animal silvestre, pertencente à natureza e não domesticado.

"A nossa Sociedade de Primatologia vem passando por certas dificuldades com relação a isso. As pessoas começam a confundir o processo da maternidade com a humanização do animal, então começa a vestir o bicho, colocar fralda, então as pessoas devem ficar atentas a isso. E quem sabe o limite do bicho é o veterinário que acompanha o animal.

A Sociedade ainda alerta que a humanização de macacos pode estimular o tráfico de animais.