Zema inicia campanha com missa no interior de MG e aposta em ‘horário eleitoral alternativo’

Zema inicia campanha com missa no interior de MG e aposta em ‘horário eleitoral alternativo’ - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

Uma missa na cidade de Montes Claros, no interior de Minas Gerais, foi a escolha do candidato do Novo, Romeu Zema, para dar início à sua campanha eleitoral. Neste domingo (16), o ex-governador participa da celebração das 9h, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, na região central.

Disposto a fazer um aceno a seu reduto eleitoral, Zema escolheu a cidade do Norte de Minas por se declarar um "admirador" de Humberto Souto, ex-prefeito e ex-deputado, morto em 2025. Anteriormente, a previsão era que o presidenciável fizesse uma visita ao mercado municipal da cidade.

Montes Claros também foi uma das cidades que mais se desenvolveram nos dois mandatos de Zema, de acordo com a assessoria da campanha. Em 2022, ele teve 56% dos votos no município. Na última semana, ele também citou semelhanças entre a região do Estado e o Nordeste do país — um dos territórios onde precisa avançar.

O presidenciável desembarcou na cidade na sexta-feira (14). Após a missa, a programação prevê uma caminhada pelo centro. A equipe de campanha avalia se haverá visita ao mercado municipal. Mais tarde, Zema almoça com lideranças e apoiadores. No dia seguinte, volta para São Paulo, onde reside atualmente.

Sem direito a horário eleitoral gratuito e com acesso restrito ao fundo eleitoral, Zema aposta alto no período oficial de campanha para tentar ficar mais conhecido e crescer nas pesquisas. Segundo pesquisa Quaest de sexta, ele tem 2% de intenções de voto e é desconhecido de 47% do eleitorado.

Entre assessores do candidato, a expectativa é que o início da cobertura jornalística diária na TV aberta compense a ausência no horário eleitoral e a inexistência de inserções ao longo da programação. Informalmente, auxiliares se referem a esse tempo de exposição como um "horário eleitoral alternativo".

Outra estratégia para ampliar o alcance da candidatura será a divisão entre Zema e seu candidato a vice, o senador Eduardo Girão (Novo-CE), anunciado no último dia 4, para os compromissos públicos. Pelo que foi definido, Girão deve priorizar agendas no Nordeste, região onde Zema enfrenta resistência, em razão da lembrança de sua comparação entre o Nordeste e "vaquinhas que produzem pouco", em 2023.

"Eu vou estar rodando uma parte do Brasil e indo a determinados eventos, e ele [irá] a outros. Ele vem para contribuir. É uma pessoa que se comunica muito bem, também empreendedor, oito anos como senador da República. Nós vamos distribuir as nossas tarefas", afirmou sobre a chapa "puro-sangue", formada após ser frustrada a busca por alianças partidárias.

O vice também é considerado um ativo para levar as ideias do Novo a segmentos mais ligados ao bolsonarismo, já que o senador tem proximidade com grupos religiosos e da chamada pauta "pró-vida". Já Zema deve se concentrar em agendas como debates, entrevistas e sabatinas, aproveitando toda oportunidade que tiver para se expor. Ele tem percorrido também eventos empresariais, narrando suas experiências como governador e propagando as ideias de orientação liberal do partido.

Depois de se distanciar de Flávio Bolsonaro (PL), por ter dito que era "imperdoável" a relação entre o senador e Daniel Vorcaro, a quem Zema chama de "banqueiro bandido", as menções do mineiro ao adversário passaram a ser mais calculadas. No momento, a orientação é para que Flávio seja um "não assunto" para o candidato do Novo, o que também evita crise com os correligionários que se aliaram ao PL em Estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Na última quinta-feira (13), ao ser questionado pelo Valor em entrevista coletiva sobre o erro no currículo de Flávio, que divulgava ter uma pós-graduação nunca cursada, Zema respondeu que não estava "a par" e não saberia comentar o assunto, noticiado quase 24 horas antes. "Não estou conseguindo ler jornal", justificou. Um argumento do entorno é que ele já falou o que tinha para falar sobre o elo do senador com o caso Master.

Sem atacar seu principal adversário à direita, o presidenciável deixa em aberto uma eventual aproximação no segundo turno, pregando que todos devem se unir para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao mesmo tempo, pretende continuar explorando o discurso antissistema de crítica aos "intocáveis", com o qual mira o Supremo Tribunal Federal (STF), e insistir no papel de "inimigo pessoal" do PT.

O desafio, nas palavras de um conselheiro, é manter a mobilização ao redor da bandeira anti-STF, já que o tema passou a dividir espaço no debate público com a onda de denúncias contra Flávio, desde o caso "Dark Horse", e as repercussões na disputa. No entanto, o entendimento é que o assunto dialoga com o sentimento de parte do eleitorado potencial de Zema e pode elevar o interesse na candidatura.

Outro diferencial apontado pela campanha é o discurso de que não só encarou um cenário de "terra arrasada" deixado pelo PT do ex-governador Fernando Pimentel, como conseguiu impedir que o partido voltasse a administrar o Estado. Zema costuma repetir que contribuiu para enfraquecer o partido localmente e busca se apresentar como alguém capaz de fazer o mesmo no plano nacional.

Nos últimos dias, o Novo se empenhou em desmentir rumores de que Zema poderia desistir da candidatura e concorrer ao Senado. Segundo interlocutores, o ex-governador não cogita recuar e reafirma internamente que levará a candidatura até o fim, o que também é considerado uma maneira de fortalecer as candidaturas para a Câmara dos Deputados, ajudando o partido a superar a cláusula de barreira, o que não conseguiu em 2022. Por isso, não dispõe de tempo de TV e recebe apenas uma fração do fundo público de campanha.

Colaborou Cibelle Bouças, de Belo Horizonte Romeu Zema, candidato a presidente pelo Novo Gil Leonard/Agência Minas

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