Zema diz que, se eleito, anistiará condenados pelo STF por atos golpistas - QTU Questões do Universo

Zema diz que, se eleito, anistiará condenados pelo STF por atos golpistas

Fonte: Bandeira da fonte

O ex-governador e candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (24) que, se eleito, dará anistia aos envolvidos nos atos golpistas de janeiro de 2023 e minimizou a tentativa de golpe de Estado no país.
Ao participar de sabatina do Jornal Nacional, Zema criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu mudanças no sistema eleitoral brasileiro, com a implementação do voto impresso.
Em aceno aos bolsonaristas, o presidenciável do Novo disse discordar que houve uma tentativa de golpe de Estado, com os atos golpistas.
“Eu discordo porque não existe na história da humanidade uma tentativa de golpe ou um golpe de Estado que tenha sido um movimento de vandalismo, de depredação como aquele que aconteceu em janeiro de 2023”, afirmou.

Em seguida, Zema defendeu a anistia aos envolvidos.
“Eu darei anistia ou pelo menos no mínimo um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial.
O que vimos no Brasil foi perseguição”, declarou, sem explicar o que pretende fazer em relação ao Supremo Tribunal Federal, ao criticar a instituição.

Após os atos golpistas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado no país.
Além de Bolsonaro, cerca de 1,4 mil pessoas foram condenadas por participação nos atos golpistas de janeiro de 2023.
Durante os atos golpistas, a Justiça identificou sete crimes: tentativa de abolição do Estado democrático de direito, golpe de Estado; dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, organização criminosa armada e deterioração do patrimônio tombado.
Zema, no entanto, reforçou não concordar com as punições.
“Na minha opinião, comete o crime quem leva o crime adiante.
Quem fez, pensou, pensou, idealizou para mim não cometeu crime”, afirmou, dizendo em seguida que teria havido “apenas a deterioração” do patrimônio público no 8 de janeiro.
“Foi um julgamento nitidamente político”, disse.
O ex-governador de Minas disse ser “totalmente democrata” e confiar na urna eletrônica, mas fez ponderações.
“Confio na urna eletrônica, que deveria ser melhorada se tivesse voto impresso, mas confio.”
Durante a sabatina, Zema minimizou casos de corrupção em seu governo, mas defendeu que os envolvidos “mofem na prisão”.
Questionado sobre um esquema que desviou mais de R$ 4 bilhões da gestão, respondeu: “Fica aqui meu repúdio a esses bandidos.”
Salário mínimo e reforma da Previdência
O candidato disse que, se eleito, que vai manter a correção do salário mínimo pela inflação, mas não garantiu o ganho real do benefício, como é atualmente.
“Se a economia estiver indo bem, se tiver contas equilibradas, sim”, afirmou.
“Eu garanto que ninguém vai ter perda.
Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação.
É absurdo um aposentado não ter reposição inflacionária.”
Atualmente, o salário mínimo tem correção pela inflação com base no INPC e a regra que permite ganho real de até 2,5% ao ano.
Questionado se manteria a regra de ganho real, Zema condicionou ao andamento da economia e afirmou que o cenário melhor poderá ser atingido com a redução da taxa de juros.
“Com governo sério, com transparência, com responsabilidade, combatendo corrupção, fraude.
Essa taxa [de juros] cai para 6%.
Só aí vamos ter economia de R$ 800 bilhões por ano.
É uma questão de credibilidade.
Um governo com gestão consegue avançar na redução de gastos”, afirmou.
Zema disse que, “por ora”, não vai mexer na idade mínima para acesso à aposentadoria.
Segundo ele, seu foco inicial será aumentar o percentual de formalização do mercado de trabalho para aumentar a arrecadação.
“Vamos mexer [na idade mínima] a medida que a expectativa de vida aumentar.
E depois ver se não conseguimos arrecadar mais com maior formalização.” O candidato disse que esse cálculo vai depender do sucesso do ajuste de contas que pretende fazer.
“Brasileiro já trabalha muito.
Não quero brasileiro trabalhando mais.
Quero a renda aumentando.” Até o fechamento desta edição, a entrevista não tinha acabado.