Zema defende que crianças trabalhem no Brasil e diz que pretende rever regras se eleito
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) defendeu que crianças trabalhem no Brasil. Ele participou na sexta-feira, 1º de Maio, Dia do Trabalho, do podcast Inteligência Ltda e contou que teve a carteira assinada com 14 anos, quando trabalhava com o pai na empresa da famÃlia.
Zema afirmou que as crianças não trabalham por culpa da esquerda e que se eleito, pretende mudar a regra.
"Infelizmente, no Brasil se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar. Eu sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela, igual falei, eu acompanhava meu pai o dia todo, contava parafuso, porca e ajudava, ele embrulhava em jornal. Hoje é Dia do Trabalho e aqui no Brasil parece que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança."
A Constituição Federal de 1988 proÃbe que crianças menores de 14 anos trabalhem no Brasil. Entre 14 e 17 anos, os adolescentes podem ser empregados como jovens aprendizes, desde que o trabalho não os impeça de estudar.
Ainda assim, dados do IBGE mostram aumento na exploração da mão de obra infantojuvenil, incluindo situações de trabalho análogo a de escravo. O Brasil fechou o ano de 2024 com 1 milhão 560 mil crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil. Os dados revelam 34 mil crianças a mais nessa situação do que no ano anterior.
O levantamento também mostrou que 66% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil são pretos ou pardos, mais do que o dobro do percentual registrado entre brancos. O IBGE apontou ainda que há mais de meio milhão de crianças e adolescentes brasileiros submetidos a atividades perigosas e degradantes.
Após a repercussão da fala em que defende o trabalho infantil, Zema se explicou pelas redes sociais. Ele escreveu que "no Brasil já é permitido trabalhar a partir dos 14 anos, como aprendiz. Isso é uma coisa boa. Porque o jovem precisa aprender, precisa ter responsabilidade. O que eu defendo é ampliar oportunidades para quem quer começar cedo. Com proteção, sem atrapalhar a escola, como já acontece em vários paÃses desenvolvidos. Porque o maior erro é deixar o jovem sem perspectiva, ou na informalidade. É aà que o tráfico faz a festa. As facções já oferecem um plano de carreira perverso para recrutar adolescentes para o crime."
