Zema cita tentativa de 'desvirtuar o problema' após críticas dos diretórios do Novo ao vídeo contra Flávio
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), respondeu às manifestações dos diretórios do Novo na região Sul contrárias às críticas feitas por ele aos áudios enviados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Durante o cumprimento de uma agenda em Santa Catarina nesta segunda-feira, ele disse que seu posicionamento "não afeta" as articulações entre seu partido e o PL nos estados e afirmou que houve uma tentativa de "desvirtuar o problema".
— O que aconteceu é que eu, que concorro à presidência, me posicionei a respeito do meu concorrente à presidência também e não afeta em nada. Nós temos aliança no Paraná, pouco se falou em Goiás. Então, são pessoas que estão querendo desvirtuar o problema. O Adriano [Silva, pré-candidato do Novo na chapa de Joginho Mello, do PL] foi um excelente prefeito em Joinville e tem todas as condições de ser um vice-governador, como já foi feito. Então, alianças são feitas em cada região de acordo com o cenário — disse Zema.
Como mostrou o GLOBO, depois do ex-mandatário mineiro publicar um vídeo classificando a atitude de Flávio como "imperdoável" e um "tapa na cara do Brasil", os diretórios do Novo em SC e no PR publicaram notas nas redes sociais dizendo que a atitude de Zema foi "precipitada". Nos comunicados, eles também buscaram alianças estaduais com o PL, que incluem a indicação de Adriano como vice de Jorginho e do ex-deputado federal Deltan Dallagnol para o Senado na chapa de Sergio Moro (PL) na eleição paranaense.
Depois do episódio, integrantes do PL, como a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), passaram a pressionar por uma ruptura definitiva entre as duas siglas. O líder do partido da Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), no entanto, disse que trataria a questão com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e que agora não seria o momento de tomar uma decisão.
— Política não se faz no campo das emoções. Acho que é preciso usar muito a razão para fazer política. Fui pressionado, sim, por vários parlamentares que queriam que suspendêssemos as alianças que temos no campo majoritário em alguns estados. Conversei com o presidente Valdemar e ele, como um homem muito equilibrado e experiente na política, disse apenas: ‘Vamos avaliar" — relatou Sóstenes.
Com a repercussão da declaração, Zema voltou a abordar o tema, mas adotou um novo tom em relação a Flávio durante um evento do partido no último sábado em Belo Horizonte.
— Fui duro porque eu fiquei muito decepcionado, mas agi de acordo com meus princípios e valores. Para mim, agora é página virada — disse.
