O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradeceu nesta sexta-feira ao apoio do que chamou de "líderes políticos de verdade" ao ser recebido por aliados europeus em Bruxelas, em um momento em que as desavenças com o presidente dos EUA, Donald Trump, voltaram a se tornar públicas diante das pressões americanas sobre Kiev. A declaração de Zelensky ocorre horas após o republicano classificar a retomada de ataques ucranianos a refinarias da Rússia como "uma desgraça" e classificar o líder do país como "mais difícil de lidar" do que com o presidente russo, Vladimir Putin. Em desafio a Trump: Zelensky ordena retomada de ataques a refinarias russas enquanto Musk pede sua renúncia Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países — Sou muito grato pelo enorme apoio que recebemos do Conselho da União Europeia, da Comissão Europeia e dos líderes, líderes de verdade, que têm estado ao nosso lado desde o início desta guerra — afirmou Zelensky ao chegar a uma reunião de cúpula com líderes europeus em Bruxelas. — É claro que queremos encerrar esta guerra o mais rápido possível, [mas] no momento, não vemos sinais, por parte da Rússia, de que eles estejam prontos para isso. A reunião de cúpula na Europa ocorre um dia depois da Ucrânia retomar ataques contra instalações de energia da Rússia, rompendo com o acordo anunciado por Trump no domingo, que previa uma trégua nos ataques diretos ao setor energético. Passados três dias do anúncio dos termos, Kiev denunciou a continuidade de bombardeios direcionados por parte de Moscou, que por sua vez nunca confirmou ter concordado com a suspensão das ações ofensivas. A escalada irritou o presidente americano, que só direcionou críticas a Zelensky. — Tudo o que ele está fazendo é aumentar o preço global de combustíveis. Eu acho isso uma desgraça — afirmou Trump em uma entrevista na noite de quinta-feira à rede americana Newsmax. — Há muitos alvos que você pode acertar, mas quando você mira em refinarias de diesel (...) que o mundo precisa, você não faz um bom serviço para o mundo. Analistas apontaram que as medidas anunciadas por Trump no fim de semana — além do acordo de não-agressão energética, o presidente americano também disse ter alcançado um acordo com Putin para liberar a venda de diesel russo ao mercado internacional — visava atender a uma demanda interna por combustível barato nos EUA, antes das eleições de meio de mandato. O acordo sobre o diesel foi criticado por aliados europeus, que consideraram uma posição pró-Rússia, que permitia a Moscou um alívio financeiro, ignorando as sanções pela violação territorial da Ucrânia. — Não é momento de retirar nosso apoio à Ucrânia. Não é momento de aliviar as sanções contra a Rússia — disse o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, ao receber Zelensky em Bruxelas nesta sexta-feira. A ruptura entre Trump e Zelensky desde o anúncio do acordo no fim de semana — que, inicialmente, o presidente ucraniano sequer disse reconhecer — já é uma das mais profundas desde o encontro entre ambos na Casa Branca, em fevereiro do ano passado. Após ataques russos contra Kiev, que deixaram dois mortos e mais de 600 mil pessoas sem energia elétrica na quarta, o presidente ucraniano afirmou que os EUA teriam prejudicado as capacidades defensivas, mecionando uma alteração no sistema Starshield — constelação de satélites Starlink de uso militar. Também citou supostas ameaças de negociadores americanos sobre a possibilidade de suspensão do compartilhamento de inteligência com o país, e classificou como "doloroso" ver Trump "escolher um lado, que não é o nosso". Horas depois, na entrevista de quinta, o republicano fez críticas diretas ao ucraniano. — Eu não sou um grande fã de Zelensky — acrescentou Trump na entrevista de quinta. — Eu acho que, na verdade, ambos gostariam que isso chegasse ao fim, mas considero Zelensky mais difícil de lidar do que Putin. Reforçar defesas A situação com as limitações no sistema Starshield também foi tema durante a reunião desta sexta-feira, com autoridades europeias demonstrando preocupação com possíveis cortes ou suspensões — uma vez que a rede de comunicação via satélite é indispensável para detecção de ataques russos e a coordenação de respostas no front. O magnata da tecnologia Elon Musk afirmou na quinta-feira que sua empresa, a SpaceX, não estava por trás de nenhuma interrupção no sistema Starshield, afirmando que o governo americano controla eventuais limitações de largura de banda ou de uso. Em meio às acusações ucranianas, o homem mais rico do mundo pediu a saída de Zelensky do governo e a convocação de novas eleições. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, avaliou nesta sexta-feira o Starlink como "realmente necessário para a Ucrânia", e admitiu que a Europa não tem capacidade para "substituir esse sistema a curto prazo". A autoridade acrescentou, porém, que o tema figura como prioridade na pauta do bloco, e que a Agência Europeia de Defesa mapeou todas as "capacidades críticas" que faltam ao continente, ressaltando a necessidade de suprir essas lacunas "o mais breve possível". Líderes europeus acompanharam o sentido de urgência da Europa desenvolver capacidades próprias. Os representantes de Holanda, França e Letônia mencionaram discussões sobre o tema. — A Starlink é fundamental para que a Ucrânia possa, de fato, lutar ou contra-atacar — disse o primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs. — Levará tempo para alcançarmos as mesmas capacidades. Nós até temos algumas, mas não o suficiente. Portanto, este é um ponto estratégico que precisamos discutir hoje. (Com AFP)
Zelensky agradece apoio de 'líderes de verdade' na Europa, enquanto Trump o classifica como 'mais difícil de lidar' que Putin
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