Zelensky acusa COI de 'fazer o jogo do agressor' russo com desclassificação de atleta ucraniano que usou capacete com fotos de vítimas da guerra

 

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O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, acusou o Comitê Olímpico Internacional (COI) de “fazer o jogo do agressor” russo com a desclassificação olímpica do piloto de skeleton ucraniano Vladislav Heraskevich, após o atleta se recusar a competir sem um capacete que trazia imagens de esportistas ucranianos mortos no conflito com a Rússia.

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Mais cedo, o governo da Ucrânia já havia condenado a desclassificação do atleta. Para Kiev, a decisão representa um “momento de vergonha” para o Comitê Olímpico Internacional (COI).

“O COI vetou não apenas o atleta ucraniano, mas também a sua própria reputação. As gerações futuras se referirão a isso como um momento de vergonha”, afirmou nesta quinta-feira, nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga.

Desclassificação

Em comunicado, o organismo internacional afirmou que o competidor “não poderá participar” dos Jogos Olímpicos de Inverno “após se recusar a cumprir as diretrizes do COI sobre a expressão dos atletas”.

“Foi desclassificado”, confirmou um porta-voz do Comitê Olímpico Ucraniano.

Na terça-feira, o COI havia proposto que o ucraniano utilizasse uma braçadeira preta em vez do capacete, como medida excepcional diante do caso.

“Esta manhã, ao chegar às instalações da competição, Heraskevich se reuniu com a presidente do COI, Kirsty Coventry, que lhe explicou pela última vez a posição do COI. Como nas reuniões anteriores, ele se recusou a mudar a sua”, argumentou a entidade olímpica em um longo texto explicativo.

Nessas condições, “foi tomada a decisão por parte dos juízes da Federação Internacional (de Bobsleigh e Skeleton, IBSF), com base no fato de que o capacete que ele queria usar não está de acordo com o regulamento”, acrescenta o comunicado.

“O COI decidiu, portanto, com pesar, retirar sua credencial para os Jogos Olímpicos de 2026. Apesar das numerosas conversas e discussões presenciais com Heraskevich (...) ele não quis chegar a um ponto de encontro”, acrescentou o COI.

Atleta ucraniano é autorizado a usar braçadeira preta após veto a capacete com homenagem a mortos na guerra

FRANCK FIFE / AFP

Em mensagem publicada na rede social X, Heraskevich defendeu seu ponto de vista. “Este é o preço da nossa dignidade”, afirmou.

Porta-bandeira da Ucrânia nestes Jogos Olímpicos, o atleta participou na segunda-feira e na quarta-feira dos treinamentos com um “capacete memorial”, segundo definição de pessoas próximas, de cor cinza e com imagens serigrafadas de vários compatriotas mortos na guerra.

Zelensky justificou manifesto do atleta

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Na noite de segunda-feira, Zelensky havia justificado o manifesto do atleta e condenou o impedimento.

"Essa decisão parte o meu coração. Sinto que o Comitê Olímpico Internacional (COI) está traindo os atletas que fizeram parte do movimento olímpico ao não permitir que eles sejam homenageados onde nunca mais poderão competir", escreveu o chefe de Estado da Ucrânia no Instagram.

Além disso, Zelensky exaltou a iniciativa de Heraskevych.

"Seu capacete tem os retratos de nossos atletas mortos pela Rússia. O patinador artístico Dmytro Sharpar, caído em combate perto de Bakhmut; Yevhen Malyshev, biatleta de 19 anos, morto pelos ocupantes perto de Kharkiv; e outros atletas ucranianos cujas vidas foram ceifadas pela guerra travada pela Rússia", ressaltou Zelensky no Telegram.

Segundo o presidente ucraniano, Heraskevych "lembrou para o mundo o preço de nossa luta. Esta verdade não pode ser considerada vergonhosa, inapropriada nem ser classificada como uma 'manifestação política em um evento esportivo'".

Citando precedentes "nos quais o COI autorizou homenagens do tipo", Heraskevych anunciou que vai recorrer da decisão. "Estamos preparando uma apelação formal perante o COI e vamos lutar para poder competir com este capacete", frisou.