Zâmbia diz ter tomado posse dos restos mortais do ex-presidente Edgar Lungu, morto em junho de 2025, mesmo contra vontade da família; entenda

 

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O governo da Zâmbia afirmou que tomou posse do corpo do ex-presidente Edgar Lungu, mesmo contra a vontade da família, após cerca de 10 meses em que os restos mortais estavam na África do Sul. A medida intensificou a disputa sobre o destino do ex-chefe de Estado, em meio a divergências políticas e familiares.

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A controvérsia envolve o tipo de funeral e o local de sepultamento. O governo defende que Lungu, por ter sido presidente, deve receber honras oficiais e ser enterrado no cemitério presidencial em Lusaka, capital do país. Já a família insiste em um funeral privado, após não chegar a um acordo com as autoridades.

A transferência do corpo foi baseada em uma decisão judicial sul-africana, proferida em agosto do ano passado, que autorizou o governo zambiano a repatriar os restos mortais e realizar um funeral de Estado.

Segundo o procurador-geral da Zâmbia, Mulilo Kabesha, a medida foi possível devido à “incapacidade de dar prosseguimento ao caso” no tribunal de apelação. A versão é contestada pela família. O porta-voz Makebi Zulu afirmou que o processo não havia sido abandonado e que os procedimentos legais estavam sendo seguidos.

Diante da nova movimentação, os advogados da família entraram com um pedido urgente em um tribunal superior da África do Sul para que o corpo seja devolvido à funerária onde estava anteriormente.

Disputa envolve rivalidade política

Edgar Lungu morreu em junho do ano passado, aos 68 anos, em uma clínica em Pretória. A causa da morte não foi divulgada. Ele governou a Zâmbia entre 2015 e 2021, quando foi derrotado nas eleições por Hakainde Hichilema, atual presidente do país.

A relação entre os dois políticos era marcada por tensão. Segundo a família, Lungu não queria que Hichilema participasse de seu funeral — um dos pontos que agravaram o impasse sobre as cerimônias.