Ypê obtém efeito suspensivo, retoma produção de itens suspeitos, mas Anvisa não recomenda uso
A Ypê informou nesta sexta-feira que apresentou um recurso à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contra a determinação do recolhimento de alguns de seus produtos por suspeita de contaminação. Com a medida, a proibição de fabricar e comercializar lava-louças, lava-roupas e desinfetantes teve os efeitos suspensos. Segundo a empresa afirmou ao GLOBO, a produção e venda dos itens foram retomados.
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A Anvisa, em nota, afirma que ainda não recomenda o uso dos produtos. "Como a empresa apresentou recurso contra a Resolução 1.834/2026, as ações determinadas pela Anvisa estão sob efeito suspensivo até o julgamento pela Diretoria Colegiada da Anvisa, previsto para ocorrer nos próximos dias. Mesmo com o efeito suspensivo, a Anvisa recomenda que os consumidores não usem os produtos indicados, por segurança", diz a agência.
A Ypê afirma que "continuará em diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades". "A Ypê informa que apresentou na data de ontem um recurso perante a Anvisa, com o objetivo de (...) apresentar esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos relacionados à Resolução-RE n. 1.834/2026, publicada ontem. Com este recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da agência, tal como dispõe o art. 17 da RDC n. 266/2019/Anvisa", diz um comunicado da empresa.
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Na quinta-feira, a Anvisa divulgou que os produtos mencionados em lotes que terminam com o final 1 possuem risco sanitário. De acordo com a agência, a decisão foi tomada a partir de avaliação técnica conduzida em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), após inspeção conjunta realizada com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo) na última semana.
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Muitos consumidores que tentaram entrar em contato com o SAC para tentar o recolhimento de seus produtos na quinta-feira e na sexta-feira relatam que não conseguiram ser atendidos. Pela decisão da Anvisa, a empresa deveria tê-los informado como devolver os produtos para reembolso ou troca.
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O GLOBO mostrou, porém, que os produtos da empresa começaram a ser recolhidos dos supermercados nesta sexta-feira. Nos mercados Mundial e Super Market, localizados no Bairro de Fátima, no Rio de Janeiro, os produtos da marca Ypê foram recolhidos nesta manhã. Os mercados preencheram os espaços vazios nas prateleiras com produtos de marcas similares.
Durante a inspeção, foram constatados "descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade", disse a Anvisa em nota.
Segundo a agência, os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e "indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrer contaminação microbiológica, ou seja, presença indesejada de microrganismos patogênicos".
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A resolução cita que houve uma inspeção sanitária realizada na fábrica entre 27 e 30 de abril que constatou o descumprimento dessas boas práticas de produção.
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A inspeção que motivou o fechamento da linha de produção da fábrica em Amparo (SP) constatou, pela segunda vez, uma contaminação de produtos de limpeza com micro-organismos. Fiscais que participaram do trabalho relatam ter constatado problemas de higiene e investigam a origem da contaminação da água nas instalações da empresa que produz detergentes, desinfetantes e sabão para roupa.
Segundo o diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), Manoel Lara, a decisão de interromper a produção foi motivada por uma incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, constatado inicialmente em novembro do ano passado.
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Naquela ocasião, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos feitos no ano passado. Esse patógeno não é altamente agressivo, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão, e particularmente em pacientes com fibrose cística.
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