Yayoi Kusama propôs sexo a presidente americano para acabar com a Guerra do Vietnã; entenda - QTU Questões do Universo

Yayoi Kusama propôs sexo a presidente americano para acabar com a Guerra do Vietnã; entenda

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Morta em 14 de agosto, aos 97 anos, a artista plástica japonesa Yayoi Kusama tinha uma relação complexa com o sexo.
Nos anos 1960, influenciada pelo movimento hippie, ela fez uma série de happenings críticos à Guerra do Vietnã em locais como o centro financeiro de Wall Street e a Estátua da Liberdade.
Sob seu comando, voluntários se despiam e ela pintava bolinhas coloridas em seus corpos.

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Embora explorasse a nudez em suas obras, disse numa entrevista que, devido a experiências da primeira infância, considerava os órgãos sexuais ameaçadores.
Ainda assim, propôs sexo ao presidente americano Richard Nixon em troca do fim da guerra no Sudeste Asiático.
Numa carta aberta ao inquilino da Casa Branca, que renunciou após o escândalo de Watergate, em 1974, escreveu: “Você não pode erradicar a violência usando ainda mais violência.
Essa verdade está inscrita nas esferas com as quais vou, amorosa e suavemente, adornar seu rígido corpo masculino.
Com suavidade! Com suavidade! Querido Richard.
Acalme seu espírito viril e belicoso!”.
O presidente nunca respondeu à provocação.

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A artista também fundou, em Nova York, o Kusama’s Omophile Klub, um bar gay, e a Kusama’s Korner, um boutique temporária que funcionava dentro da famosa loja de departamentos Bloomingdale’s.
Ícone pop
Autora de uma obra marcada pela repetição infindável de bolinhas coloridas, abóboras, flores e objetos fálicos, Kusama criou uma linguagem única, imediatamente reconhecível, como a arte pop de Andy Warhol ou os retângulos em cores primárias de Mondrian.
Célebre por seu figurino tão chamativo quanto suas telas, esculturas e instalações, pela indefectível peruca vermelha e por ter se internado voluntariamente num hospital psiquiátrico, a japonesa e tornou indiscutivelmente um ícone pop.
Hábil na arte da autopromoção, arrastou multidões às suas exposições mundo afora (locais privilegiados para se tirar uma selfie, diga-se) e firmou parcerias com marcas poderosas, como Louis Vuitton, Lâmcome e Audi — suas bolinhas estamparam roupas, bolsas, frascos de cosméticos e até automóveis.
Nascida em 22 de março de 1929, em Matsumoto, decidiu ser artista ainda na adolescência e, em 1948, matriculou-se numa escola de arte em Kyoto.
Atenta à arte de inspiração surrealista produzida em Paris e Nova York, investiu em obras semiabstratas, nas quais já destacavam os motivos florais, astronômicos e sexuais.
Em 1955, teve três telas expostas no Brooklyn Museum, em Nova York.
Mudou-se para os EUA em 1957.
Em Nova York, firmou-se como um dos principais nomes da pop art e do minimalismo.
Suas “Infinity nets” (redes infinitas), pinturas abstratas que evocam movimento por meio de pinceladas precisas e delicadas, fizeram imenso sucesso.
Voltou ao Japão em 1973.
Começou então a fazer colagens e a se dedicar à literatura.
Nessa época, seus ataques de pânico e suas alucinações se agravaram, a ponto de ela se internar num hospital psiquiátrico em Tóquio, em 1977.
Montou um ateliê perto dali e passou a produzir intensamente.

‘Kusamania’
Entre os anos 1990 e 2000, voltou a criar instalações imersivas, como as “Infinity rooms”, salas revestidas de espelhos que produzem reflexos infinitos.
Também passou a receber mais atenção de instituições renomadas e os preços de seus trabalhos dispararam.
Em 2014, uma das pinturas da série “Infinity nets” foi vendida por US$ 7,1 milhões e se tornou a obra mais cara de uma artista viva já negociada em um leilão.
Era o auge da “Kusamania”, que estourou no Brasil em 2013, quando a mostra “Obsessão infinita”, que exibia uma centena de obras da artista produzidas entre 1949 e 2012, atraiu mais de 1,7 milhão de pessoas às unidades do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio e de Brasília e ao Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.
Em 2023, foi inaugurada a Galeria Yayoi Kusama no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).
O espaço abriga as instalações “I’m here, but nothing” (2000), que consiste num ambiente aparentemente doméstico salpicado por pontos coloridos, e “Aftermath of obliteration of Eternity” (2009), na qual um sem-número de focos de luz convidam o visitante a uma experiência transcendente.
Há ainda outra instalação da japonesa em Inhotim, “Narcissus Garden”, composta por 750 esferas de aço inoxidável que flutuam sobre um espelho d’água.