A fabricante chinesa de smartphones Xiaomi revelou nesta segunda-feira uma nova versão de seu processador próprio para celulares, o Xring, apostando que um controle mais profundo sobre componentes-chave ajudará a fortalecer sua cadeia de suprimentos e a reduzir a dependência de fornecedores externos de chips.
A apresentação do Xring O3 ocorre um ano após a Xiaomi lançar seu primeiro processador para smartphones, o Xring O1, marcando o passo mais recente no esforço da terceira maior vendedora de smartphones do mundo para se juntar a rivais como Apple, Samsung e Huawei no desenvolvimento de seus próprios chips.
A TSMC fabricará o novo chip utilizando sua tecnologia de produção de 3 nanômetros, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto.
Uma das fontes afirmou que o chip deve equipar o próximo smartphone dobrável carro-chefe da Xiaomi, com uma meta de produção de 200 mil a 300 mil unidades.
A expansão da Xiaomi para o mercado de telefones dobráveis, um segmento mais caro, pode desafiar a principal concorrente doméstica, a Huawei.
A Huawei despachou 1,6 milhão de telefones dobráveis na China no segundo trimestre, garantindo uma participação de mercado de 68%, seguida pela Honor, com 13,7%, e pela Oppo, com 8,5%, de acordo com a empresa de pesquisa Smart Analytics Global.
As fontes recusaram-se a ser identificadas porque os planos não são públicos.
Xiaomi e TSMC não responderam imediatamente a pedidos de comentário sobre o fabricante do chip, a tecnologia de produção ou as metas de remessa.
Os processadores de smartphones, ou sistemas em chip, integram funções de computação, gráficos, processamento de inteligência artificial e imagem em um único componente.
Fabricantes de dispositivos buscam chips próprios
O avanço da Xiaomi no desenvolvimento de chips reflete uma tendência mais ampla da indústria, à medida que os fabricantes de dispositivos buscam diferenciar seus produtos e diminuir a dependência de fornecedores como Qualcomm e MediaTek em meio à concorrência intensificada nos smartphones premium.
A Xiaomi informou durante uma teleconferência de resultados na semana passada que as remessas acumuladas de dispositivos equipados com o Xring O1, incluindo smartphones, tablets e relógios, ultrapassaram 1 milhão de unidades desde o seu lançamento.
A Xiaomi vendeu cerca de 150 mil smartphones baseados no chip Xring O1 desde o seu lançamento em maio de 2025, de acordo com as fontes.
Custos de memória elevam preços
Os fabricantes de smartphones estão lidando com uma desaceleração global nas vendas de dispositivos, à medida que os custos de memória e componentes elevam os preços e comprimem a demanda.
A Xiaomi vendeu 65 milhões de aparelhos no primeiro semestre a um preço médio de 1.329 yuans (US$ 197,74), em comparação com 84 milhões de unidades vendidas a um preço médio de 1.141 yuans no mesmo período de 2025 e 83 milhões de unidades a 1.123 yuans em 2024, segundo dados da Visible Alpha.
Espera-se que as remessas globais de smartphones caiam 14% em 2026, de acordo com a empresa de pesquisa International Data Corporation.
A Xiaomi informou que também contratou a TSMC para fabricar outros dois chips Xring, o Xring O100, uma unidade de processamento neural de 6 nanômetros que dará suporte ao modelo de grande linguagem da Xiaomi, o MiMo, em dispositivos eletrônicos de consumo, e o Xring D100, um chip de 3 nanômetros voltado para direção autônoma.
Segundo a Xiaomi, o O3 já entrou em produção em massa, enquanto o O100 e o D100 concluíram o desenvolvimento e têm implementação prevista para o próximo ano.
Reprodução/ X Xiaomi
