Xi Jinping pede reabertura do Estreito de Ormuz enquanto China equilibra interesses entre Irã e países do Golfo

 

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O presidente da China, Xi Jinping, pediu nesta semana a reabertura do Estreito de Ormuz, em seus primeiros comentários desde que o Irã fechou a estratégica rota marítima no mês passado, em resposta a ataques dos Estados Unidos e de Israel em seu território. A declaração foi feita durante uma conversa telefônica, na segunda-feira, com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

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— O Estreito de Ormuz deve permanecer aberto à navegação normal, o que é do interesse comum dos países da região e da comunidade internacional — disse Xi ao príncipe, de acordo com a Xinhua.

Os comentários refletem o equilíbrio delicado adotado por Xi. O Irã é possivelmente o parceiro estratégico mais próximo de Pequim no Oriente Médio, mas a China também mantém laços econômicos com países do Golfo atingidos por ataques iranianos — que Pequim não condenou.

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— Este é um passo simbólico que reflete a importância do reino aos olhos de Pequim como principal Estado do Golfo e compensa parcialmente a falta de condenação ou de apoio significativo da China a Riad — afirma Tuvia Gering, pesquisador associado do Atlantic Council.

Brian Wong Yue-Shun, especialista em relações internacionais da Universidade de Hong Kong, disse que a mensagem também foi dirigida à República Islâmica.

— Pequim está, sem dúvida, sinalizando de forma sutil, mas importante, aos setores mais duros em Teerã que uma escalada descontrolada adicional não será tolerada — diz.

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A conversa de Xi com o príncipe saudita ocorreu após uma reunião em Pequim, na semana passada, com Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, na qual o líder chinês alertou para um possível retorno do mundo à “lei da selva”. Ele não mencionou diretamente o Estreito de Ormuz naquele encontro, como fez na ligação com Mohammed bin Salman, líder de fato da Arábia Saudita.

Na conversa, Xi afirmou que a China apoia os países da região na construção de “um lar comum de boa vizinhança”, para que possam “tomar em suas próprias mãos seu futuro e destino”, segundo a Xinhua.

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Manoj Kewalramani, chefe de estudos do Indo-Pacífico no Takshashila Institution, na Índia, afirmou que a mensagem de Xi está alinhada com apelos anteriores de Pequim por desescalada.

— Basicamente, Pequim quer que os EUA suspendam seu bloqueio e que o Irã também permita a navegação de navios — ressalta.

Tanto a Arábia Saudita quanto o Irã têm defendido que a China assuma um papel maior como mediadora na crise. Há quase três anos, Pequim ajudou os dois países a restabelecer relações diplomáticas. Ainda não está claro, porém, se Xi está disposto a ampliar o envolvimento chinês e correr o risco de se enredar em uma crise que não provocou.

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Segundo analistas, as principais preocupações de Pequim com a guerra são econômicas. A China importa até 40% de seu petróleo pelo Estreito de Ormuz. Um fechamento prolongado da rota estratégica pode desencadear uma desaceleração da economia global e ameaçar o comércio, principal motor econômico chinês.