O candidato do Psol ao governo do Rio, William Siri, manifestou otimismo com a possibilidade de crescer nas pesquisas de intenção de voto até o primeiro turno da eleição, no dia 4 de outubro. Ele disse acreditar em “boas surpresas”, apostando em uma arrancada nas próximas três semanas. Segundo a pesquisa Quaest, divulgada na terça-feira (8), Siri aparece com 1% das preferências, contra 3% na última sondagem.
Assista: Siri é o segundo convidado da série de entrevistas com os candidatos ao governo do Rio realizada pelos jornais O Globo, Extra e Valor e pela Rádio CBN. Ao comentar o desempenho no levantamento, o candidato do Psol afirmou que sua campanha enfrenta estruturas e "campanhas milionárias", cuja a origem dos recursos, de acordo com ele, são desconhecidas. Ainda assim, reiterou que o baixo percentual nas intenções de votos pode ser revertido, ressaltando que, embora na mesma corrente ideológica do PT, o Psol tem um projeto que visa “derrotar a extrema direita”, com um “projeto popular e revolucionário”. “Pesquisa é fotografia, é momento”, resumiu. Indagado se o PSOL errou ao não lançar o deputado federal Glauber Braga, Siri negou qualquer equívoco na escolha de seu nome. O fundamental, afirmou, é que o parlamentar busque um novo mandato no Congresso, puxando “um caminhão de votos” para o partido.
Siri descartou a ideia de que a saída de Marcelo Freixo do Psol tem repercutido no desempenho do partido na eleição estadual. Segundo ele, o ex-correligionário, atualmente no PSB, apresenta "contradições que terá que carregar", como o apoio ao candidato do PSD ao governo do Rio, Eduardo Paes, líder nas pesquisas eleitorais.
O candidato do Psol disse que Freixo, como professor, deveria observar que Paes “jogou bombas” contra professores que protestaram em greves passadas contra a administração municipal. Aproveitou ainda e criticou o ex-prefeito pelo trânsito carioca. Morador de Campo Grande, na zona oeste, Siri chegou atrasado à sabatina, que teria início às 10h30, devido ao trânsito congestionado. “O trânsito está horrível e ele teve quatro mandatos [para resolver o problema]”. Voto evangélico Ao analisar o cenário político, disse que o preconceito da esquerda em dialogar no passado com o público religioso fez com que “evangélicos que dominam a fé para ganhar poder e dinheiro” ocupassem esse espaço. Em sua opinião, líderes como Silas Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, atuam como “ativista político”. “Quero combater uso da fé por lideranças para ganhar poder e dinheiro”, disse Siri, que é evangélico.
Segurança pública Ao falar sobre o tema da segurança pública, Siri defendeu a tese de que o crime organizado não é um "poder paralelo" no Rio, mas está dentro da própria estrutura do poder fluminense. Ele acusou Rodrigo Bacelar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), de ser coordenador político da facção criminosa Comando Vermelho. "O poder do crime hoje está dentro da Alerj e do Palácio Guanabara", afirmou. Siri reconheceu que o partido errou na eleição da presidência do legislativo estadual ao apoiar Bacellar, preso posteriormente no âmbito da investigação que apura obstrução de justiça e compartilhamento de informações com o Comando Vermelho. “Todo mundo erra”, alegou o candidato, para depois reafirmar que a essência do partido se mantém. “Vamos inverter esse tipo de política que é feita no Rio”, disse. Como uma de suas principais propostas para combater o crime organizada e a violência , Siri propôs unificar as Secretarias de Polícia Civil, Militar e Penal em uma única estrutura que seria uma Secretaria de Segurança Pública, ligada diretamente ao governo para maior planejamento e transparência. Ele prometeu ainda acabar com a indicação política de coronéis e delegados, e criticou o sucateamento da polícia e batalhões.
O candidato do PSOL comprometeu-se a retomar todos os territórios do Estado que estão sob domínio do crime organizado. Criticou, porém, o modelo de operações em favelas das últimas décadas. "A gente não pode ficar olhando para o Estado do Rio de Janeiro somente nesse [processo de] enxugar gelo. São 30 anos fazendo a mesma coisa." Amanhã, o convidado será Anthony Garotinho (Republicanos), e na sexta-feira será a vez de Eduardo Paes (PSD) ser sabatinado. As entrevistas são conduzidas por Bianca Santos e Leandro Resende, apresentadores da CBN, Francisco Goes, chefe da sucursal Rio do Valor, Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e Thiago Prado, editor de Política do Globo.
Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (8) mostra Paes na liderança, com 39% das intenções de voto. Em segundo, Ruas, com 18%, e em terceiro está Garotinho, com 8%. Cyro Garcia (PSTU), com 2%, além de William Siri (Psol), André Marinho (Novo) e Coronel Busnello (Missão), com 1% cada. Votos em branco ou nulo somam 14%, e os indecisos são 16%.
Valor