Wikie e Keijo: últimas orcas em cativeiro na França podem ser transferidas para a Espanha até junho
A história das orcas Wikie, de 23 anos, e de seu filho, Keijo, de 11, pode ganhar um novo capítulo nas próximas semanas. As duas gigantes ganharam notoriedade quando foram "deixadas para morrer" há cerca de um ano e meio com o encerramento das atividades do Marineland de Antibes, na França, um dos maiores parques marinhos da Europa. Esses dois animais seguem nos tanques onde antes exibiam seu show para o público, que agora acumula sujeira, longe das condições ideais, em especial quando comparado à natureza. Elas são as últimas em cativeiro no país.
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Desde então, grupos de direitos dos animais tentam uma solução, com transferência das duas orcas para santuários. O ministro francês da Transição Ecológica, Mathieu Lefèvre, fez uma visita surpresa ao espaço desativado no último dia 15. Na ocasião, ele falou que os dois animais devem ser transferidos "em breve" para o Loro Parque, em Tenerife, Espanha. Segundo Lefèvre, essa mudança deve ocorrer "nas próximas semanas, antes do final de junho", destacou o jornal francês Le Figaro.
No antigo parque, hoje em ruínas, também estão 12 golfinhos-nariz-de-garrafa, que vivem há mais de um ano em tanques esverdeados. Desde que o parque Marineland foi fechado, as estruturas vêm apresentando sinais claros de deterioração. Um dos casos mais notáveis é o tanque onde permanecem Wikie e Keijo, que tem rachaduras.
— O risco, precisamente, é não fazer nada. Todos que se preocupam com o bem-estar desses cetáceos devem entender que precisamos romper o impasse e agir o mais rápido possível. O status quo não é uma solução — disse Mathieu Lefèvre durante a visita, destacou o Le Figaro.
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A negociação com o Loro Parque, na Espanha, foi longa. Em tratativas anteriores, no ano passado, o espaço recusou receber os dois mamíferos, alegando falta de capacidade. Ainda em 2025, o governo francês bloqueou duas tentativas de transferência — uma para um santuário no Canadá e outra para um parque no Japão.
— Todas as autorizações foram concedidas, a transferência agora é possível. Tudo está pronto — disse o ministro, enfatizando "a urgência da situação".
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Estudos apontam que, na natureza, orcas têm expectativa de vida entre 60 e 90 anos, no caso das fêmeas. Quando em cativeiro, esse período reduz drasticamente, numa média de 30 anos, com muitos indivíduos não chegando a 20 anos. Esse foi o caso de Moama, irmã mais velha de Keijo, que morreu aos 12 anas, em outubro de 2023. O óbito ocorreu devido a uma infecção bacteriana na corrente sanguínea, que pode ter sido contraída por meio do consumo de peixes contaminados, lembrou o Conexão Planeta.
Inouk, irmão de Wikie, também morreu no Marineland, em março do ano passado, aos 25 anos. A orca já estava debilitada, com a barbatana dorsal comprometida e sem dentes em decorrência de roer as paredes do tanque onde era mantida. A morte ocorreu após a ingestão de um corpo estranho metálico.
Hoje, cerca de 40 funcionários do parque, incluindo os tratadores de animais, permanecem em seus postos.
Durante sua visita, Mathieu Lefèvre lembrou das duas mortes dos animais no parque.
— Lembro que dois cetáceos já morreram aqui — disse. E completou ao falar sobre a necessidade de tirar Wikie e Keijo e os 12 golfinhos do parque desativado. — Portanto, não vou correr o risco de isso acontecer novamente.
A previsão é que o transporte das orcas seja feito em enormes caixas por avião de carga até a Espanha. O preço da operação não foi divulgado, mas, segundo o CEO do Marineland, Pascal Ferracci, disse ao Le Figaro, deve custar "centenas de milhares de euros, talvez até milhões".
O destino dos 12 golfinhos-nariz-de-garrafa deve ser diferente, com alguns levados para um parque em Valência e outro em Málaga, ambos na Espanha. Eles ficarão alojados até a construção e finalização de um recinto especializado no Zoológico de Beauval, na França.
