WhatsApp: agora é possível falar com a Meta AI sem ser bisbilhotado pela empresa

 

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A partir desta quarta (13), a Meta não será mais capaz de ler o diálogos que os usuários mantêm com a Meta AI dentro do WhatsApp. A companhia anunciou que as mensagens enviadas para o chatbot da companhia dentro do app de mensagens serão criptografadas e não poderão ser acessadas por terceiros, incluindo a própria companhia. O recurso deve chegar a todos os usuários “nos próximos meses”.

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Até aqui, as mensagens enviadas ao perfil Meta AI, ou por meio da marcação @Meta AI em grupos, podiam ser acessadas pela companhia e usadas para o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA) — a brecha, inclusive, gerou falsos rumores de que o chatbot da companhia poderia acessar todas as mensagens trocadas pelos usuários no serviço.

Com o modo anônimo, nenhuma mensagem poderá ser mais acessada pela empresa. A companhia diz que utiliza uma tecnologia chamada "private processing" (processamento privado), que combina criptografia de ponta a ponta entre o celular e o servidor com hardware especial seguro — segundo o artigo que acompanha o lançamento, os chips nos servidores são da AMD e da Nvidia.

“Talvez você já tenha visto outros produtos com modo privado. Muitos desses outros modos podem apresentar diferenças em algumas configurações ou políticas, mas, no fim das contas, eles ainda têm acesso às conversas”, afirmou a jornalistas Will Cathcart, diretor de WhatsApp.

Segundo ele, o recurso é ideal para perguntas sensíveis que os usuários não querem que fiquem registradas, como dúvidas sobre saúde, finanças, informações de trabalho ou até pesquisas pessoais de compras. Por padrão, as conversas não ficam salvas e desaparecem. Inicialmente, o recurso vai valer apenas para mensagens de texto.

Ainda assim, a possibilidade de total anonimato gera preocupações para usos indevidos de chatbots de IA, como aqueles envolvendo questões de saúde mental, que podem resultar em violência contra o próprio corpo e o de outras pessoas. Suicídios e atentados que ocorreram a partir de conversas com chatbots de IA estão entre uma das principais preocupações entre pais e especialistas, que acreditam que as empresas do setor vem falhando sistematicamente na prevenção.

No último mês de abril, a OpenAI fez um pedido de desculpas à comunidade de Tumbler Ridge (Canadá) por não ter alertado a polícia sobre uma usuária que realizou um ataque a tiros em fevereiro. Ao GLOBO, Cathcart disse que é possível tomar medidas apesar da criptografia.

— À medida que esses modelos melhoram, podemos complementar com muitas orientações de segurança. Podemos treinar o modelo para responder indicando às pessoas uma figura de autoridade, orientando a procurar ajuda, fornecendo os números de linhas diretas para as quais podem ligar. Vamos começar a pedir que as pessoas confirmem sua idade antes de usar o produto e, inicialmente, restringir o acesso a públicos mais velhos. E outra coisa é fazer o modelo parar de responder se alguém tentar usar de forma inadequada.

O movimento da Meta é antagônico em relação ao seu outro serviço, o Instagram. Desde o dia 8, a companhia parou de criptografar as mensagens enviadas pela DM do aplicativo, eliminando um recurso presente desde 2023. Isso significa que as conversas no Instagram não são mais tão privadas assim, permitindo à Meta acessar os conteúdos. A companhia afirma que a mudança ocorreu porque poucos usuários ativaram as mensagens criptografadas.