Wellness, poder e negócios: por que Alana Villela defende que acesso vale mais que visibilidade na economia global
Existe uma mudança silenciosa em curso na forma como empresas constroem valor. Durante muito tempo, relações públicas foi tratada como uma engrenagem de reputação, útil para ampliar visibilidade, organizar narrativas e sustentar imagem institucional. Na leitura de Alana Villela, esse desenho perdeu potência diante de um mercado em que aparecer deixou de ser suficiente. O que passa a importar agora é a capacidade de uma marca estar inserida nos contextos em que confiança, relacionamento e decisão econômica se cruzam.
A tese ganha força em um ambiente em que experiência deixou de ser acessório e passou a produzir resultado de negócio. Pesquisa da McKinsey mostra que estratégias de crescimento guiadas por experiência, quando elevam a satisfação do cliente em pelo menos 20%, podem ampliar vendas cruzadas entre 15% e 25% e elevar a participação na carteira do consumidor entre 5% e 10%. Na prática, isso ajuda a explicar por que empresas deixaram de olhar branding, relacionamento e presença institucional como frentes isoladas e passaram a tratá-las como parte de uma arquitetura de receita.
É nesse ponto que a leitura de Alana se conecta ao novo tabuleiro global. Com o Grande Prêmio de Miami marcado para 1º a 3 de maio de 2026 e a Copa do Mundo FIFA 2026 programada para ocorrer de 11 de junho a 19 de julho de 2026, a própria indústria dos megaeventos vem transformando acesso em produto de alto valor. A FIFA comercializa pacotes com assentos premium, lounges, suítes privativas e experiências corporativas. A Fórmula 1, por sua vez, expande modelos de hospitalidade com acesso diferenciado a ambientes e bastidores. Em paralelo, a Deloitte aponta que o esporte vive uma fase de convergência com mídia, entretenimento e comércio, enquanto arenas e estádios evoluem para plataformas de atividade econômica durante todo o ano.
Esse movimento ajuda a sustentar uma das ideias centrais defendidas por Alana Villela: a disputa relevante já não acontece apenas no campo da atenção, mas no campo do acesso. Não se trata simplesmente de estar visível em grandes eventos, mas de ocupar os ambientes certos dentro deles. Em um ecossistema em que decisões estratégicas também amadurecem em experiências exclusivas, encontros reservados e circuitos de relacionamento qualificado, presença sem contexto tende a gerar lembrança, mas não necessariamente consequência econômica.
O wellness entra nesse cenário com um peso maior do que o de uma tendência comportamental. Segundo o Global Wellness Institute, a economia global do bem-estar atingiu US$ 6,8 trilhões em 2024, equivalente a 6,12% do PIB mundial, e os segmentos de wellness real estate e mental wellness estão entre os que mais crescem. O dado ajuda a explicar por que o setor passou a ocupar um espaço estratégico na interseção entre consumo, longevidade, performance e status. Mais do que vender bem-estar, empresas desse universo passaram a operar símbolos de estilo de vida, pertencimento e influência.
Nesse contexto, a proposta de Alana é reposicionar o PR. Em vez de funcionar apenas como ferramenta de exposição, ele passa a operar como infraestrutura relacional para negócios. Branding constrói percepção de valor. Imprensa oferece validação pública. Experiência cria profundidade de vínculo. Quando esses três vetores atuam em conjunto, deixam de representar apenas comunicação e passam a interferir em conversão, reputação econômica e abertura de novas frentes comerciais. A pressão descrita pela PwC sobre o esporte e o entretenimento, com modelos de patrocínio em transformação e demanda crescente por experiências imersivas e personalizadas, reforça justamente essa migração de valor: a captura de resultado se desloca para quem consegue desenhar melhor a jornada, e não apenas comprar atenção.
Há ainda um ponto menos óbvio, mas cada vez mais decisivo. A coerência entre estrutura interna e posicionamento externo tende a ganhar peso competitivo. No Brasil, a atualização da NR-1 passou a exigir, desde 26 de maio de 2025, a inclusão da avaliação de riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança do trabalho. Embora seja uma exigência regulatória, a mudança também reposiciona o debate empresarial: organização, cuidado, governança e previsibilidade deixam de ser apenas temas operacionais e passam a comunicar confiabilidade ao mercado. Estrutura, nesse sentido, também virou linguagem de marca.
A visão defendida por Alana Villela aponta, portanto, para uma reclassificação do que significa posicionar uma empresa. Na economia global, visibilidade continua relevante, mas já não basta como indicador de força. O diferencial está em pertencer aos ecossistemas em que capital circula, influência se consolida e relações amadurecem antes de se tornarem contratos.
No fim, a lógica é menos sobre falar mais alto e mais sobre estar no lugar certo, com intenção, desenho e leitura estratégica de contexto. Para marcas que pretendem crescer em setores cada vez mais conectados entre mídia, experiência e negócios, a pergunta central já não parece ser quantas pessoas as veem, mas em quais mesas elas conseguem, de fato, sentar.
