Washington Post fala em 'justiça na Venezuela' e 'grande vitória para interesses dos americanos'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta madrugada que forças americanas realizaram um ataque militar de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita pelo próprio Trump em uma rede social.
Segundo o presidente americano, a operação resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, que teriam sido retirados do país por via aérea. Trump disse que a ação foi conduzida em conjunto por várias agências dos Estados Unidos e por forças de aplicação da lei, mas não informou para onde o presidente venezuelano foi levado nem qual foi a base legal da captura.
Mais cedo, o governo da Venezuela havia denunciado um ataque militar dos Estados Unidos em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
Jornais americanos estampam a notícia em suas primeiras páginas. Um dos mais tradicionais, o The Washington Post, publicou um editorial -- artigo de opinião que apresenta posicionamento do veículo -- defendendo o ataque no território venezuelano.
Com o título "Justiça na Venezuela", o texto diz que a decisão do presidente Donald Trump de capturar Maduro "é uma das medidas mais ousadas tomadas por um presidente em anos, e a operação foi um sucesso tático inquestionável". "O próximo passo é garantir que esse triunfo prepare o terreno para a estabilidade, e não para o caos", diz o texto.
O artigo ainda fala sobre os interesses dos Estados Unidos na ação, destacando que diplomatas da China estavam na Venezuela se encontrando com Maduro e que o ataque de Trump "envia mensagem importante para ditadores de quinta categoria na América Latina":
"Esta é uma grande vitória para os interesses americanos. Poucas horas antes, autoridades chinesas que o apoiavam realizaram um encontro amistoso com Maduro, que também havia sido apoiado pela Rússia, Cuba e Irã. Sem dúvida, milhões de venezuelanos se lembrarão de quem apoiou seu opressor e quem efetuou sua deposição. O fim de Maduro será um fracasso se não corroer também a influência dos adversários dos Estados Unidos neste hemisfério.
A destituição de Maduro também envia uma mensagem importante para os ditadores de quinta categoria na América Latina e no mundo: Trump cumpre o que promete. O presidente Joe Biden ofereceu alívio das sanções à Venezuela, e Maduro respondeu a essa demonstração de fraqueza fraudando as eleições."
O artigo afirma que após a remoção de Maduro, o "cenário ideal seria a ascensão de María Corina Machado", ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, ao poder. "Seu Manifesto da Liberdade – fortemente influenciado pela Constituição americana – é o melhor esboço para o futuro da Venezuela."
"Com decisões difíceis pela frente e muitos obstáculos a serem superados, é justo olhar para o futuro com otimismo. Mas também é justo comemorar. Durante anos, Maduro foi um símbolo da falsa cordialidade do coletivismo latino-americano. Agora, ele deverá passar o resto da vida em uma prisão americana com condições desumanas. Sua queda é uma boa notícia, diz o editorial."
O presidente dos Estados Unidos afirmou que mais detalhes sobre a operação serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 11h, no horário local, em Mar-a-Lago, na Flórida.
