Voto nos estados: Apoio de Bolsonaro embaralha disputa em Alagoas; assista a vídeo

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Fonte: Bandeira



Após anunciar a pré-candidatura ao Senado por Alagoas, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) recebeu o apoio para ser nome da família Bolsonaro na disputa local. Com maior visibilidade devido à relatoria da CPI do INSS, o parlamentar passou a presidir o PL no estado e busca construir uma chapa completa para garantir um palanque robusto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua campanha à Presidência da República. A consolidação de Gaspar na corrida eleitoral impõe dificuldades aos planos do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), seu aliado, que pode acabar perdendo espaço em sua tentativa de chegar ao Senado. Já a vaga ao governo depende dos rumos do ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB), que ainda não decidiu seu lado nesta eleição.

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Gaspar recebeu a visita do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), no último domingo, em um evento realizado na capital alagoana. Carlos afirmou que a escolha do deputado foi feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também estendeu seu apoio a Lira. Antes de Gaspar entrar na corrida, o ex-presidente da Câmara ensaiava uma disputa somente com o senador Renan Calheiros (MDB), com quem protagoniza uma das maiores rivalidades políticas do país.

— Falei para ele (Bolsonaro) que viria para cá (Maceió), e ele me perguntou como estava a situação política aqui. Ele afirmou que os pré-candidatos dele ao Senado são o Alfredo Gaspar e o Arthur Lira. Isso foi sacramentado — disse Carlos, em declaração ao portal local Gazeta Web.

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Ao mesmo tempo, a composição gera desconfiança no entorno de Lira. Gaspar é visto como alguém com maior identificação com o bolsonarismo, o que pode custar os votos mais à direita do que o ex-presidente da Câmara busca angariar. A avaliação de aliados é que o cenário predileto para Lira é polarizar a disputa com Calheiros, nome apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito, o que lhe garantiria o voto dos eleitores avessos à esquerda.

Para não recuar e precisar buscar a reeleição na Câmara, Lira aposta em sua popularidade no interior do estado. Ao longo de sua gestão na Casa, ele distribuiu recursos para cidades de Alagoas e buscou se aproximar de prefeitos. No lançamento de sua pré-candidatura, em março, 83 dos 102 gestores municipais estiveram ou mandaram representantes para o evento.

Indefinição de JHC

Em articulação com o PT, o MDB terá como candidato ao governo o senador e ex-ministro dos Transportes Renan Filho, que tenta voltar ao posto após dois mandatos. Já Renan pai quer se reeleger para a quinta legislatura no Senado.

O outro nome definido para concorrer Casa é o deputado estadual José Wanderley Neto (MDB), conhecido como Dr. Wanderley. A informação foi confirmada ao GLOBO por Renan Calheiros, que ressaltou que o partido vai trabalhar para conquistar as duas cadeiras. Durante a janela partidária, Renan chegou a convidar publicamente JHC para se filiar à sigla, o que acabou não ocorrendo.

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O ex-prefeito saiu do PL no final de março, quando foi destituído do comando do partido pelo presidente nacional a sigla, Valdemar Costa Neto. Ele ficou insatisfeito por não ter autonomia para formar sua chapa, uma vez que o partido já tinha uma vaga reservada a Lira, e passou a presidir o diretório local do PSDB.

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Membros do PL avaliam que a decisão de tirar JHC do controle do partido pode gerar consequências na formação da chapa pretendida por Gaspar, que verbaliza ter o desejo de contar com o ex-prefeito. Isso ocorre porque o entendimento é que não há outro nome forte para concorrer ao governo pela sigla, com exceção do deputado.

Para manter sua influência na chapa, Lira articula a escolha para o cargo de vice-governador. Os principais nomes cotados são Lucas Barbosa (PSDB), filho do prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (MDB), e Célia Rocha (PSDB), ex-prefeita do município — o segundo maior de Alagoas.

Em busca de atravessar as negociações comandadas por Gaspar, o diretório nacional do PT tenta se aproximar de JHC. Petistas afirmam que o objetivo é fazer com que ele cumpra com o acordo que teria firmado com Lula em agosto do ano passado, quando o presidente indicou Marluce Caldas, tia do ex-prefeito, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em troca de apoio político.

No início do mês passado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que ambos têm uma “excelente relação”. De lá para cá, no entanto, não houve avanço nas tratativas.

Uma eventual aliança faria com que Lula tivesse dois palanques no estado, possibilidade rechaçada por Renan Filho. Sem citar JHC, o ex-ministro publicou uma foto com um boné do presidente, no início da semana passada, e criticou quem se mantém neutro nas eleições: “Neutro é sabonete de neném. Eu sou Lula”, escreveu.

Composição

Outro fator que aproxima JHC de Lula é sua relação próxima com o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), que defende uma composição com o petista. Lessa também costuma ser avaliado com um possível vice para o ex-prefeito, caso ele decida lançar à reeleição a sua mãe, a senadora Eudócia Caldas (PSDB), o que criaria outra chapa no estado.

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Gaspar, inicialmente, defendeu que ficaria ao lado de JHC “desde que ele não apoie Lula”, conforme disse ao GLOBO. Já em sua declaração mais recente, no domingo retrasado, o deputado subiu o tom e declarou que o apoio “vai depender exclusivamente” da postura do ex-prefeito em relação ao palanque à Presidência e, caso não seja possível, o PL terá um candidato próprio.

Antes disso, o Planalto chegou a avaliar a união entre Lira e Calheiros como uma solução favorável para o palanque do presidente Lula no estado. O senador, no entanto, negou a possibilidade, e afirmou que desistiria da reeleição, caso precisasse se aliar ao rival.