Voto no exterior foi fundamental para a vitória de Espriella na Colômbia; Presidente eleito fala em

Voto no exterior foi fundamental para a vitória de Espriella na Colômbia; Presidente eleito fala em 'nova era'

Fonte: Bandeira



O presidente eleito da Colômbia, o outsider de extrema direita Abelardo de la Espriella, celebrou no domingo o início de uma "nova era" no país após derrotar, no segundo turno mais apertado da história, o candidato da esquerda, que governou o país pela primeira vez nos últimos quatro anos. A vitória por menos de um ponto percentual foi impulsionada pelo forte apoio dos eleitores colombianos residentes no exterior.

Contexto: Em resultado apertado, Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder

Entenda: Candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia

O advogado, de 47 anos e sem experiência política, venceu o senador governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, no momento em que o país enfrenta a pior onda de violência da última década. Entre os colombianos que vivem fora do país, De la Espriella recebeu 63,8% dos votos e abriu uma vantagem de 177.809 votos sobre o adversário. Quase dois terços da diferença final entre os candidatos vieram desse segmento do eleitorado.

Com o apoio do presidente americano, Donald Trump, a vitória de Espriella foi recebida com protestos em cidades como Bogotá e Cali, onde manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e estabeleceram barricadas.

Initial plugin text

Aos gritos de "resistência!", milhares de pessoas ocuparam as ruas das duas cidades. Em alguns pontos, os atos terminaram em confrontos entre manifestantes encapuzados e a tropa de choque da polícia, segundo jornalistas da AFP.

As cenas lembraram a onda de protestos que abalou a Colômbia entre 2019 e 2021. Muitos participantes criticaram propostas de campanha do presidente eleito, como o endurecimento da política de segurança e da repressão às manifestações.

— Não vamos nos conformar com um governo agressivo que queira nos perseguir e nos destruir, como ele já disse que fará — afirmou em Bogotá Isabella Giraldo, empreendedora de 26 anos.

'Uma nova etapa para o país': Quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia

O governo de Petro ampliou programas sociais voltados à população mais vulnerável e mantém alta popularidade entre as classes mais baixas. Muitos dos manifestantes temem perder esses benefícios em um dos países mais desiguais do mundo.

— Vamos demonstrar nossa insatisfação porque ele é muito contrário a direitos básicos pelos quais as comunidades e as mulheres lutam há tanto tempo — afirmou Natalia, estudante de marketing de 26 anos.

Eleições na Colômbia: Espriella, advogado de figuras controversas, quer retomar o poder para a direita

Atrás de uma barreira de vidro à prova de balas, o advogado celebrou o início de uma "nova história para a nação".

A apuração preliminar oficial aponta sua vitória com 49,6% dos votos, contra 48,7% de Cepeda.

— Começa uma nova era, uma mudança de ordem, a Pátria Milagre — disse na cidade caribenha Barranquilla em seu primeiro discurso diante de milhares de simpatizantes, após chegar ao local em um veículo semelhante ao papamóvel.

Veja: Quase cem guerrilheiros entregam armas na Colômbia após acordo com Gustavo Petro

De la Espriella, que tem cidadania colombiana e americana, derrotou a esquerda que buscava acordos de paz com todos os grupos armados.

— Aqueles que semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção durante todos estes anos, o tempo de vocês acabou — declarou o presidente eleito, que governará até 2030 e que se autodenomina "O Tigre".

Cepeda declarou que não aceitará a derrota antes da apuração final, que deve demorar alguns dias, e que pretende contestar 33.000 urnas, processo com o qual espera reverter o resultado.

— Não vamos apoiar este governo — disse à AFP Brandon, um estudante de 19 anos que protestava nas ruas de Bogotá. — Ele não me representa como jovem. Veremos mais manifestações.

Presidente eleito: Em discurso de vitória, Espriella diz que herda um país dividido e convoca colombianos à reconciliação

De la Espriella afirmou que o presidente dos EUA manifestou apoio em uma ligação telefônica.

Mais tarde, Trump publicou na rede Truth Social a mensagem "Ganhou, GRANDE!" com uma fotografia do presidente eleito.

Apoio da direita latino-americana

A vitória de De la Espriella também foi celebrada por líderes conservadores da América Latina, próximos a Trump. O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros a parabenizar o colombiano, afirmando que a maioria dos eleitores escolheu "o caminho da liberdade econômica, da prosperidade e da segurança implacável".

Em publicação na rede X, Milei declarou ainda que "a liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás" e afirmou que "o Leão e o Tigre rugem na América Latina", em referência aos apelidos adotados por ambos os políticos.

Nas vésperas do segundo turno: Militares matam 9 membros do principal cartel de narcotráfico da Colômbia

O presidente do Equador, Daniel Noboa, também comemorou o resultado, afirmando que a Colômbia escolheu "a ordem em vez da impunidade". Segundo ele, os dois governos compartilham a convicção de que a região precisa de mais segurança e de uma postura firme contra o crime organizado.

O presidente do Chile, José Antonio Kast, também felicitou De la Espriella "por seu grande triunfo eleitoral", assim como o líder do Panamá, José Raúl Mulino, que desejou "o maior dos êxitos".

A Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, previu boas relações com a Colômbia e disse esperar uma aliança com o novo governo em favor de uma transição democrática na Venezuela.

Eleições: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como 'símbolo'

Em meio a um processo de apuração dos votos que pode declarar sua vitória como presidente do Peru, Keiko Fujimori celebrou que "sopram novos ventos para a América Latina".

O discurso de De la Espriella a favor de Washington, das forças de segurança e dos empresários é similar ao de outros presidentes na região, como o salvadorenho Nayib Bukele e o argentino Milei.

De la Espriella é alvo de críticas por seus frequentes comentários machistas e homofóbicos e por representar como advogado vários paramilitares e narcotraficantes.

Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral

Em entrevista à AFP, o presidente eleito disse que buscará o apoio dos EUA e de Israel para atacar a guerrilha com bombardeios e fumigações de plantações de drogas no país, o maior produtor mundial de cocaína.

Além disso, ele conquistou votos como "inimigo ferrenho" da esquerda diante dos poucos avanços nas negociações com as máfias e em um contexto de relações tensas com Washington.

A lei colombiana não permite a reeleição e Petro escolheu como candidato Cepeda, um defensor de direitos humanos, de 63 anos, que apostava em fortalecer os programas sociais que beneficiaram os mais pobres e marginalizados em um dos países mais desiguais do mundo.

Análise: Polarização entre extrema direita e esquerda no segundo turno força limites institucionais na Colômbia

Uma década após o acordo de paz com as Farc, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato à presidência.

Contra as máfias

O presidente eleito é contrário à chamada "paz total", com a qual Petro pretendia enterrar décadas de conflito armado por meio do diálogo com grupos criminosos do narcotráfico e com as guerrilhas.

Especialistas alertam que suas promessas de ofensiva militar podem gerar uma nova espiral de violência.

Após resultado do primeiro turno: Petro apresenta supostas provas de fraude eleitoral e pede auditoria de 5.300 seções de votação na Colômbia

Com uma saudação militar, De la Espriella exibe seu talento como cantor em entrevistas ou a vida de luxo que levava na Itália.

— Ele se conecta com um eleitorado que já está muito cansado da insegurança e precisa de soluções de choque, mas também encarna um modelo aspiracional do empresário que construiu sua fortuna — diz Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.

Ele defende o porte de armas, a construção de mega-presídios, a exploração de petróleo com fracking, cortar o Estado em 40% e considera que o "ideal" seria dolarizar a economia.

Também propõe revisar a permanência da Colômbia em organismos internacionais como a ONU e a OEA.

(Com AFP)