Vorcaro usou conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões das vítimas do Master, diz PF
O empresário Henrique Vorcaro, preso na manhã desta quinta, é titular de uma conta que seu filho, o banqueiro Daniel Vorcaro, usou para suposta ocultação de recursos bilionários em meio às investigações da Operação Compliance Zero, diz a PF. Investigadores apontaram que, enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) “sangrava” para cobrir o rombo do Master no mercado financeiro, Vorcaro ocultou de credores e vítimas R$ 2,2 bilhões.
Henrique é um dos alvos principais da sexta fase da Operação, aberta nesta manhã para cumprir sete mandados de prisão preventiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de 17 ordens de busca e apreensão. Seu nome, no entanto, já havia surgido quando a terceira etapa da ofensiva foi aberta, no início de março, levando à segunda prisão de Vorcaro.
Na época, decisão do ministro André Mendonça revelou que Vorcaro ocultou de credores e vítimas R$ 2,2 bilhões na conta de Henrique junto à empresa CBSF DTVM, a ex-Reag. A Reag é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga a lavagem de dinheiro do PCC em fundos de investimento. A empresa tem negado irregularidades.
A PF considerou a ocultação dos valores, mesmo após a liberação de Vorcaro em novembro, como uma confirmação dos indícios de reiteração delitiva do banqueiro - ou seja, que ele continuou com as “condutas ilícitas” em meio à investigação sobre o escândalo do Master.
Os indícios de "ocultação e dilapidação do patrimônio obtido ilicitamente" foram um dos pontos que embasaram a segunda prisão de Vorcaro, em março.
Uma semana antes da terceira fase da Compliance Zero, o nome de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, também foi citado no pedido que a liquidante do Master, a EFB Regimes Especiais de Empresas, fez à Justiça dos Estados Unidos, para congelar uma mansão na Flórida que seria de propriedade da família Vorcaro.
O documento sustentou que Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro, pai e irmã do banqueiro, utilizaram a empresa Sozo para adquirir a mansão, em fevereiro de 2023, como parte de um suposto esquema para "comprar ativos com recursos desviados do Master", dando "continuidade à fraude".
