'Vorcaro tinha contrato' x 'nenhum centavo do Master': veja as divergências entre Flávio e Mario Frias sobre filme de Bolsonaro
O deputado federal Mario Frias (PL-SP), que aparece como produtor-executivo do filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), divulgou nesta quinta-feira uma nota sobre o financiamento da obra que diverge da versão apresentada na véspera pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Mensagens reveladas pelo portal Intercept Brasil mostram Flávio negociando um aporte financeiro de Vorcaro no filme, chamado "Dark Horse", com previsão de lançamento neste ano; segundo a colunista do GLOBO Malu Gaspar, o antigo dono do Banco Master repassou R$ 62 milhões para a produção.
Frias, porém, afirmou nesta quinta-feira que "não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse". O deputado afirmou ainda que Flávio "não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora" responsável pela obra.
"E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido", afirmou o deputado, em comunicado divulgado nas redes sociais.
A nota de Frias menciona um posicionamento divulgado anteriormente pela GOUP Entertainment, a produtora do filme Dark Horse, que negou qualquer investimento de Vorcaro.
"A GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", disse a produtora.
Na quarta-feira, contudo, Flávio Bolsonaro publicou um pronunciamento em suas redes sociais no qual admitiu que Vorcaro "tinha um contrato" para aportar dinheiro no filme.
-- Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024. Não tinha absolutamente nenhuma acusação contra ele. O que acontece é que, com o passar do tempo, ele simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato. Sim, tinha um contrato, que ao ele não pagar as parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído. Em função disso, procuramos outros investidores para concluir esse filme -- disse Flávio.
Ainda de acordo com a reportagem do Intercept Brasil, conversas entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, obtidas pela Polícia Federal, indicam que o dono do Master direcionou recursos para um fundo sediado no Texas, sob pretexto de financiar o filme de Bolsonaro. O fundo em questão, chamado Havengate, tem como sócio o advogado Paulo Calixto, um aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive desde fevereiro do ano passado nos Estados Unidos.
Procurado pelo GLOBO para comentar a divergência, Frias não retornou os contatos.
