Vorcaro segue preso sem prazo definido e terá destino definido em julgamento na Segunda Turma do STF

 

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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, seguirá preso sem prazo determinado e vai ter o destino definido em um julgamento na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcado para a semana que vem.

Vorcaro foi preso na manhã de quarta-feira e encaminhado inicialmente para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Após a audiência de custódia determinar a manutenção da prisão, ficou decidido que ele e o cunhado, o empresário Fabiano Zettel, serão levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo.

A transferência foi possível após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, ter autorizado que todos os presos na terceira frase da Operação Compliance Zero seguissem para o sistema penitenciário estadual. após a realização dos procedimentos iniciais de custódia.

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A decisão atende a pedido da Polícia Federal, que informou ao Supremo que suas unidades não possuem estrutura adequada para manter presos por períodos prolongados. Segundo o órgão, as chamadas Unidades de Trânsito de Presos (UTP) são destinadas apenas à custódia temporária, voltada à realização de atos administrativos decorrentes do cumprimento de mandados judiciais, como identificação e registros formais. 

A PF afirmou ainda que a permanência prolongada de detidos em suas instalações pode comprometer as atividades de investigação e aumentar riscos de segurança institucional, já que as unidades não contam com estrutura típica de estabelecimentos prisionais, como atendimento médico regular, rotinas de visitas e acompanhamento especializado. 

Ao analisar o pedido, Mendonça concordou que as instalações da Polícia Federal são destinadas apenas à custódia breve e que a manutenção prolongada de presos nessas unidades pode desviar efetivo policial e prejudicar a atividade-fim da instituição. 

Julgamento no STF

Os integrantes da Segunda Turma do STF vão analisar em julgamento no plenário virtual a partir do dia 13 se mantêm ou revogam a prisão preventiva de Vorcaro. Além de Mendonça, o colegiado é composto pelos ministros Luiz Fux, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

A sessão está prevista para começar às 11h do dia 13 e terminar no final da noite do dia 20. A prisão será analisada em julgamento virtual com a participação do antigo responsável pelo caso, Toffoli, que deixou a relatoria do inquérito após questionamentos sobre ligações com Vorcaro.

Ao justificar a prisão do banqueiro e de seus aliados, Mendonça anotou que a liberdade dos investigados comprometeria a investigação e a “confiança social” na Justiça. Segundo o ministro, permitir a liberdade de Vorcaro e de seus aliados “significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade”.

Ao pedir que Vorcaro voltasse para a prisão, a Polícia Federal classificou o banqueiro como “profissional do crime” e apontou indícios de monitoramento de autoridades e adversários por meio de uma “milícia privada”.

Entenda o caso

Mendonça autorizou nesta quarta-feira a terceira fase da Operação Compliance Zero e levou novamente à prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de outros investigados. A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, com suspeitas de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo investigadores, o esquema teria utilizado estruturas do mercado financeiro para captar recursos e movimentar ativos de alto risco ou de baixa liquidez, além de operações que teriam servido para ocultar prejuízos e desviar recursos. A decisão também cita suspeitas de interlocução com servidores públicos e tentativas de interferir nas investigações.

A operação, chamada de Compliance Zero,  já teve três fases. A primeira, deflagrada em novembro de 2025, investigou a suspeita de venda de carteiras de crédito sem lastro a outras instituições financeiras. A segunda, em janeiro deste ano, ampliou o foco para o uso de fundos de investimento ligados à gestora Reag para a circulação de recursos e aquisição de ativos considerados problemáticos. Já a terceira fase, autorizada agora pelo STF, inclui novas prisões e medidas cautelares contra investigados ligados ao caso.

A posição de Vorcaro

Os advogados do dono do Banco Master afirmaram que ele “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

Segundo os advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Roberto Podval, Vorcaro colaborou com as investigações do caso Master “de forma transparente desde o início”. “A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, registraram em nota.