Vorcaro diz que Master não ‘se preocupava’ com capital da empresa que gerou carteiras de crédito vendidas ao BRB

 

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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que a instituição “não se preocupava” com o capital da empresa que gerou carteiras de crédito fraudados, vendidas ao BRB. As carteiras inexistentes foram vendidas pelo Master ao Banco de Brasília por mais de R$ 12 bilhões.

Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro admitiu que o Master não fez uma análise econômica da empresa Tirreno, apontada como a “fábrica de créditos fictícios”.

O Banco Central mandou desfazer a operação entre o BRB e o Master por que a venda das carteiras foi feita sem que o Master tivesse os documentos necessários para comprovar que os títulos realmente existiam. A cláusula do contrato firmado entre as instituições previa que o BRB arcaria sozinho com o risco da inadimplência.

Em documentos revelados agora, o Banco Central determinou que o BRB reserve pelo menos R$ 3 bilhões para manter as operações em segurança. No comunicado, o Banco Central avisou que os ativos que o BRB diz possuir na carteira valem menos que o informado no balanço.

O prazo para o Banco de Brasília apresentar um plano para se recuperar dos negócios fraudulentos com o Master acaba no fim de março. Por causa do escândalo bilionário entre o BRB e o Master, deputados da oposição querem o impeachment do governador Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa.

No depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que conversou várias vezes com o governador sobre a venda do Banco Master ao Banco de Brasília, que é estatal. O governador confirmou que se encontrou com Vorcaro na casa do banqueiro, mas negou que tenha tratado da operação. Ele disse que "entrou mudo e saiu calado".

Ibaneis foi um grande defensor da compra do Master pelo BRB, mas agora culpa o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa pela transação. Entre os deputados que defenderam o afastamento do governador está Fábio Félix, do PSOL.

Ainda no depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro admitiu que o Banco Master tinha problemas de liquidez e usava o Fundo Garantidor de Créditos como modelo de negócio.

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