Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master que estão no Supremo Tribunal Federal (STF), mostram que ele mantinha contato direto com o ministro Alexandre de Moraes nos dias que antecederam sua primeira prisão, em novembro de 2025.
Em 14 de novembro, três dias antes de ser detido, Vorcaro escreveu ao ministro: “Estamos juntos sempre.
Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você.
Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nos tem uma divida de vida contigo e com a sua família.
Muito obrigado por tudo.
Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser”.
Vorcaro escrevia as mensagens em um bloco de notas do celular, fazia um print e enviava o conteúdo a Moraes pelo WhatsApp como foto de visualização única, para não ficar gravado no aplicativo de mensagem instantânea.
Os investigadores conseguiram mapear o procedimento a partir dos registros encontrados no aparelho, identificando a produção dos textos no bloco de notas e o posterior envio pelo WhatsApp.
Dois dias depois da mensagem de agradecimento, em 16 de novembro, Vorcaro voltou a procurar Moraes para pedir um encontro.
“Podemos nos ver amanha rapidamente algum horário? Vou na parte da tarde então.
Veja um horário que não vai te atrapalhar muito.
Pode ser bem rápido”, escreveu.
No dia seguinte, 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela primeira vez, no aeroporto internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular para Dubai.
Mensagens encontradas pela PF no celular também mostram que, na semana anterior à prisão, o banqueiro havia pedido a Moraes ajuda para tentar adiar uma operação, mencionando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A mensagem foi enviada no contexto da relação entre Vorcaro e Moraes que também envolve o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Conforme revelou o GLOBO, o contrato previa remuneração de R$ 3,6 milhões mensais durante 36 meses.
Reportagem do Estado de S.
Paulo publicada nesta terça-feira mostrou que os metadados do arquivo da minuta apontam uma edição no documento atribuída ao usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Viviane afirmou que consultou o marido sobre eventuais impedimentos legais antes da assinatura e que o contrato só foi firmado após a comprovação de que não havia impedimento.
