O ex-banqueiro Daniel Vorcaro depôs nesta sexta-feira (28) à Polícia Federal (PF) por quatro horas e vinte minutos no âmbito da investigação sobre a atuação de dois servidores afastados do Banco Central (BC) suspeitos de atuar para favorecer os interesses do Banco Master.
Em nota divulgada por sua defesa, ele negou ter havido corrupção dos funcionários do BC e disse estar disposto a esclarecer os fatos desde que "seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar".
Segundo apurou o Valor, ele negou ter havido corrupção envolvendo os dois e sinalizou ao final de seu depoimento que teria informações sobre corrupção envolvendo outros dirigentes do alto escalão da autarquia, mas que só falaria no contexto de uma colaboração premiada.
"Na ocasião, Daniel respondeu de forma clara e consistente a todos os questionamentos que lhe foram formulados, não deixando qualquer indagação sem esclarecimento.
Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso.
Daniel externou, ainda, sua plena disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que lhe seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar", informa a nota divulgada pelos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski, Bruno Borragine, André Bialski, Juliana Tempestini, Luis Felipe D'Aloia e Thiago Machado de Carvalho.
O depoimento foi o primeiro de Vorcaro desde que ele trocou sua equipe de defesa, na tentativa de buscar uma colaboração premiada após ter duas propostas de colaboração rejeitadas.
Na nota, os advogados afirmam ainda que o depoimento de hoje foi a primeira oportunidade para se manifestar sobre alguns dos fatos citados na investigação.
Suas propostas anteriores de colaboração foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que consideraram que ele não trazia informações inéditas, que permitissem o avanço das investigações para além dos elementos que foram encontrados já nas buscas e nos aparelhos celulares dos investigados.
Neste inquérito a PF investiga a atuação do ex-diretor do BC Paulo Sérgio Neves e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Belline Santana por suspeita de terem atuado para atender aos interesses do Master enquanto fiscalizavam o banco.
A corporação suspeita ainda que eles teriam recebido propina de Vorcaro para atuarem para auxiliá-lo nas demandas junto ao BC.
As defesas de ambos negam as acusações.
Daniel Vorcaro
Victor Moriyama/Bloomberg
