Voo fantasma: entenda o fenômeno que pode ter causado acidente com jatinho na Bolívia
O acidente com um jatinho que caiu na Bolívia, nesta segunda-feira (13), após voar por cerca de duas horas em círculos, trouxe à tona um fenômeno pouco conhecido fora do setor aéreo: o chamado “voo fantasma”. O termo é utilizado quando uma aeronave segue em operação sem comando consciente da tripulação.
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A análise da trajetória do avião reforça a hipótese de que os pilotos tenham perdido a consciência ainda durante o voo. Mesmo sem intervenção humana, sistemas automáticos permitem que a aeronave mantenha altitude e direção por longos períodos, o que explicaria o comportamento registrado antes da queda.
Um dos principais sinais desse tipo de ocorrência é a ausência total de comunicação. No caso boliviano, segundo a imprensa internacional, não houve pedido de socorro nem acionamento de emergência, o que levanta dúvidas sobre as condições da tripulação ainda nas fases iniciais do incidente.
Hipóxia é a principal suspeita
Especialistas apontam a hipóxia como a causa mais provável para o acidente. A condição ocorre quando há redução do nível de oxigênio no organismo, afetando diretamente o funcionamento do cérebro. De acordo com a Federal Aviation Administration (FAA), o quadro pode comprometer funções cognitivas e levar à perda de consciência, especialmente em grandes altitudes.
O problema pode evoluir de forma silenciosa. Mesmo respirando normalmente, a oxigenação do corpo diminui progressivamente até provocar um “apagão”. Nesse estágio, o piloto perde a capacidade de reconhecer a situação e de adotar medidas de emergência, o que ajuda a explicar a falta de comunicação nesses casos.
O fenômeno já foi registrado em outros episódios da aviação. Um dos mais conhecidos é o Voo Helios Airways 522, ocorrido em 2005, na Grécia. Na ocasião, uma falha de pressurização levou à incapacitação da tripulação, e a aeronave seguiu em voo até cair após o esgotamento do combustível.
A causa oficial do acidente na Bolívia ainda será determinada. Ainda assim, especialistas destacam que o padrão observado é compatível com situações em que a tripulação perde a consciência, evidenciando que, apesar dos avanços tecnológicos, o fator humano continua sendo determinante para a segurança na aviação.
