Voo com destino aos EUA é desviado após descoberta que passageiro do Congo embarcou

Voo com destino aos EUA é desviado após descoberta que passageiro do Congo embarcou 'por engano'

 

Fonte: Bandeira



Um voo da Air France com destino a Detroit, Michigan, nos Estados Unidos, foi redirecionado para o Canadá na quarta-feira (20), após ser constatado que um passageiro da República Democrática do Congo havia embarcado 'por engano' em meio às novas restrições de viagem relacionadas ao Ebola. O anúncio foi feito pela Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

'Devido às restrições de entrada implementadas para reduzir o risco do vírus Ebola , o passageiro não deveria ter embarcado no avião', diz o comunicado.

A agência disse que omou medidas decisivas e proibiu o voo que transportava esse passageiro de pousar no aeroporto metropolitano do condado de Wayne, em Detroit, o desviando para Montreal, no Canadá.

O porta-voz acrescentou que, em coordenação com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, a agência 'está tomando as medidas necessárias para proteger a saúde pública e reduzir o risco de introdução do vírus Ebola nos Estados Unidos'.

Na segunda-feira, o CDC e o Departamento de Segurança Interna implementaram medidas temporárias com o objetivo de impedir a entrada do Ebola nos EUA, em meio a surtos em curso no leste e centro da África. As medidas incluem triagem de viagens reforçada, restrições de entrada e protocolos adicionais de saúde pública.

Entre as novas regras estão as restrições de entrada para portadores de passaportes não americanos que estiveram em 'Uganda, República Democrática do Congo ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias'. A ordem tem validade de 30 dias, segundo o comunicado.

Na quarta-feira (20), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde afirmou que, até o momento, foram registrados quase 600 casos suspeitos de Ebola e 139 mortes suspeitas, alertando que os números devem aumentar.

O diretor-geral disse que 51 casos foram confirmados na República Democrática do Congo, 'embora saibamos que a escala da epidemia na República Democrática do Congo é muito maior'. Uganda também confirmou dois casos, acrescentou.

OMS afirma que surto de Ebola na África dificilmente terminará em pouco tempo

Autoridade de saúde mede temperatura usando um termômetro infravermelho na República Democrática do Congo para controle do ebola.

AFP

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, afirmou nesta terça-feira (19) estar profundamente preocupado com a dimensão e a velocidade do surto de Ebola na República Democrática do Congo.

Ele afirmou que houve pelo menos 500 casos suspeitos de Ebola e 130 mortes suspeitas na República Democrática do Congo desde o início do novo surto.

Trinta casos foram confirmados na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, e uma morte e um caso foram confirmados em Kampala, Uganda, acrescentou. Um cidadão americano também testou positivo e foi transferido para a Alemanha.

'Esses números mudarão à medida que as operações de campo forem ampliadas, incluindo o fortalecimento da vigilância, do rastreamento de contatos e dos testes laboratoriais', disse Tedros aos membros da Assembleia Mundial da Saúde, que estão reunidos esta semana em Genebra.

Tedros declarou o surto uma emergência de saúde pública de importância internacional nas primeiras horas da manhã de domingo.

'Esta é a primeira vez que um diretor-geral declara uma emergência de saúde pública de importância internacional antes de convocar um comitê de emergência. Não tomei essa decisão de forma leviana… Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia'.

Uma representante da OMS em Bunia, na província de Ituri, alertou que o surto pode ser prolongado. Segundo Anne Ancia, dificilmente em até dois meses o surto será superado.

A representante da OMS na República Democrática do Congo citou um surto recente de Ebola que 'duraram dois anos'.