VocĂȘ sabe, de fato, o que significa ter corpo fechado?

 

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Em seu dia a dia, vocĂȘ jĂĄ deve ter ouvido dizer que fulano tem o tem o corpo fechado. Diz-se que alguĂ©m “tem o corpo fechado” quando nada de ruim o atinge, enquanto outro “tem o corpo aberto” e parece sempre vulnerĂĄvel Ă s adversidades. Mas por trĂĄs dessas palavras existe um profundo conhecimento ancestral, herdado das tradiçÔes africanas e preservado nas religiĂ”es de matriz africana no Brasil.

Falar de corpo fechado nĂŁo Ă© apenas falar de proteção espiritual. É falar de equilĂ­brio entre o corpo fĂ­sico, a mente e o sagrado. É compreender que o ser humano nĂŁo se resume Ă  matĂ©ria, mas Ă© tambĂ©m energia e força vital em constante troca com o mundo ao seu redor.

O conceito de “fechar o corpo” estĂĄ ligado Ă  ideia de fortalecimento energĂ©tico. Trata-se de proteger o corpo material e espiritual contra influĂȘncias negativas que podem se manifestar de diversas formas, como doenças, desĂąnimo, perdas e caminhos bloqueados. É, em essĂȘncia, uma blindagem espiritual que reforça a conexĂŁo com o sagrado e com a prĂłpria essĂȘncia.

Por outro lado, quando se diz que alguém estå com o corpo aberto, entende-se que essa pessoa se encontra mais suscetível às energias densas. Inveja, olho grande, desequilíbrios emocionais e espirituais podem encontrar brechas quando não hå fortalecimento adequado do campo espiritual.

Nas tradiçÔes de origem bantu, encontramos pråticas relacionadas a esse entendimento de amparo. Um exemplo é o ritual da Kura, que envolve pequenas incisÔes no corpo dos iniciados, com a finalidade de proteção. Esse ritual tem suas raízes na África, entre os povos Ndembu de Luanda, onde era conhecido como Nkula, um processo de purificação e fortalecimento espiritual.

Ao chegar ao Brasil, esse conhecimento ancestral foi ressignificado e adaptado. A pråtica, que antes era restrita aos iniciados, passou também a ser realizada em frequentadores dos terreiros, especialmente em momentos de grande força espiritual, como a Sexta-feira Santa. O objetivo permanece o mesmo, proteger contra doenças, perigos e energias negativas, mantendo o indivíduo alinhado com o seu axé.

Mas Ă© importante compreender que fechar o corpo vai alĂ©m de qualquer ritual especĂ­fico. Trata-se tambĂ©m de postura diante da vida. Pensamentos equilibrados, atitudes conscientes, respeito ao sagrado e cuidado com o prĂłprio caminho sĂŁo formas de manter o corpo fechado. NĂŁo existe proteção sem consciĂȘncia.

Fechar o corpo Ă©, portanto, estar firme na prĂłpria essĂȘncia. É caminhar com proteção, mas tambĂ©m com responsabilidade. É entender que o axĂ© se cultiva diariamente, nas escolhas, nas palavras e nas intençÔes.

E nesse contexto, a sexta-feira assume um papel especial. Dia consagrado a OxalĂĄ, o grande pai, senhor da criação, da paz e do equilĂ­brio, Ă© o momento ideal para buscar purificação, silĂȘncio interior e fortalecimento espiritual. É o dia de renovar a fĂ©, acalmar o coração e alinhar-se com o que hĂĄ de mais elevado.

ÀlĂ ĂĄfĂ­Ă  ti ÒáčŁĂ lĂĄ fĂșn gbogbo! (A paz de OxalĂĄ para todos!)