Você pagaria mais por um produto que ajudasse a conservar a floresta? - QTU Questões do Universo

Você pagaria mais por um produto que ajudasse a conservar a floresta?

Fonte: Bandeira da fonte

O cliente pagaria a mais por certo produto, como cacau, associado a uma cultura que ajuda a conservar a floresta? Em caso positivo: como garantir que o público entenda essa relação entre produto e cultura? A certificadora FSC (Forest Stewardship Council) começou a considerar essas questões em 2021 – e, depois de anos de desenvolvimento da metodologia, iniciou este ano a experiência.

Depois de um processo de auditoria, a cooperativa da Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO), do povo Paiter Suruí, conseguiu a primeira verificação de serviços culturais do FSC do Brasil.
“A manutenção desses serviços auxilia na proteção das florestas.
Para manter um idioma nativo ou uma técnica de pesca tradicional, é necessário também manter as condições ambientais”, diz Elson de Lima, diretor-executivo do FSC no Brasil.

É a segunda certificação dessa categoria no mundo, depois da obtida pela nação indígena Haida, que produz madeira de forma responsável num arquipélago na costa oeste do Canadá.
Os Paiter Suruí, que também foram o primeiro povo indígena a vender créditos de carbono no país, produzem cacau, café e castanhas de forma integrada à floresta.

Gigantes multinacionais de diferentes setores, como Ikea, Natura, Unilever e Suzano, já se apoiam em certificações florestais para comprar e vender produtos variados, como madeira, bambu, castanhas, chá, cogumelos, mudas, óleos e sementes.

A nova certificação abre uma frente de trabalho diferente da verificação florestal tradicional, que também usa auditoria mas conta com apoio pesado de tecnologia, incluindo drones, imagens de satélite, software GIS (Sistemas de Informação Geográfica) e blockchain – ferramentas úteis numa conversa sobre quantidade de árvores, mas nem tanto para tratar de cultura.