Viviane Araujo revela maior sonho a ser realizado na Sapucaí, conta como fará anúncio quando se aposentar do carnaval e diz por que fala de vidente a tirou do sério
Se o "samba é primavera que floresce em fevereiro", como diz a letra do Salgueiro em homenagem a Rosa Magalhães, o jardim de Viviane Araujo ganha mais vida quando é regado de carnaval e do amor de quem faz sua folia brilhar: o marido Guilherme Militão e o filho Joaquim. Num ensaio exclusivo para O GLOBO, a rainha de bateria da Vermelho e Branco da Tijuca falou da importância dos dois para manter seu alto astral, lembrou a trajetória à frente dos ritmistas da agremiação e adiantou novidades do desfile que encerra o carnaval de 2026 na Sapucaí.
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Além de toda a dedicação à folia, a carioca está no ar na novela "Três graças" (TV Globo), que desperta ainda mais a curiosidade do público por ter cenas em que contracena com o ex, o cantor Belo ("Está supertranquilo, é tudo muito profissional"). O momento de Viviane é outro: com sua família nuclear sólida, pessoas de confiança ao seu redor e amigos que fazem a sua corte real do carnaval sempre a postos.
— Meu marido está sempre comigo. É meu braço, o que me segura e me deixa firme. E Joaquim é a energia que me renova todos os dias — diz Viviane, que desfilará nesta terça (17), na última noite de desfile do Grupo Especial.
Guilherme Militão, Joaquim e Viviane Araujo: família unida nos preparativos para o desfile
Vinicius Mochizuki
No dia desta entrevista, no estúdio do fotógrafo Vinicius Mochizuki, no Flamengo, Zona Sul do Rio, os mais próximos a aguardavam dentro de uma van, numa noite de temporal, à espera de mais um ensaio de Sapucaí. Do lado de dentro do local das fotos, o filho do casal, aos 4 anos, protagonizava cenas divertidas: contou que gosta de tamborim, instrumento que a rainha toca na Avenida; disse que curte mais futebol do que de carnaval, mas que sabe os passos — mostrando os da capoeira, para risada geral — e ao ser perguntado sobre o que mamãe faria naquela noite, ele disse: "Ela vai sambar!".
— Meu maior sonho de Sapucaí é um dia ele me ver desfilar. Por ser muito pequenininho, a gente deixa dormindo ou leva para os ensaios de rua. É algo que um dia quero realizar, quando ele estiver maior. Este ano, ainda não vai dar porque o desfile vai ser de madrugada. Família para mim é a base. Tive o reflexo do que vivi e passei na minha vida inteira. A primeira vez que pisei numa escola, foi numa ocasião em que fui levada por um amigo do meu pai (Josenir Araujo). Era meu pai que me levava em tudo, era um coruja, tinha muito orgulho da filha dele. Em 2013, quando ele faleceu, foi o ano do meu primeiro convite para uma novela do Aguinaldo (Silva), queria estar sempre por perto, acompanhando. E minha mãe (Neuza), hoje, me assiste pela TV nos desfiles — conta.
Viviane Araujo está em estado de graça, com vida profissional resolvida, paixões como o carnaval em dia e a família em volta. No carnaval, foi eleita por um concurso do GLOBO vice-campeã como Rainha das Rainhas, num júri composto por mais de 30 pessoas. Nos ensaios técnicos, durante as passagens pelo povo ou em perfomances que trouxeram novidades, entre elas a que indica que a rainha subirá num tripé, o público é arrebatado pela presença da representante da Vermelho e Branco:
— O amor que tenho pelo carnaval é algo maior e as pessoas entendem. O amor que eu tenho dentro de mim pelo carnaval é maior, uma força. Outro dia, lá no meu trabalho mesmo, a maquiadora falou: "Minha nora ela te adora e disse que se você sair de carnaval, acaba. Se sair do Salgueiro? Salgueiro acabou!". Não. (risos) — diz ela, que aos 50 anos afasta possibilidade de aposentadoria próxima: — Todo ano tem essa história. Quando eu for sair, as pessoas vão saber. Quero que seja algo especial. Na hora eu vou falar, quero que marque uma despedida bacana, bonita. Na hora, vão saber.
Ano a ano, as entregas aumentam. Em 2026, ela lançou uma série em que mostra o making of de ensaios e preparativos.
— Hoje em dia, são muitas entregas (para as redes sociais). Essa parte é mais cansativa. Mas é o caminho e a gente tem que ir acompanhando. Estou há 30 anos. Vivi muitos momentos diferentes ao longo desses anos. A gente vai se encaixando, se reiventando para manter se manter ali. Debora (Martinez, a assessora). Ela me dá esse suporte há 20 anos. Além dela, eu tenho personal trainer, nutricionista, endocrinologista — conta.
Guilherme Militão beijou pela primeira vez a mulher num dezembro de preparativos para o carnaval, após abordar timidamente Viviane, que o deixava nervoso por ser famosa. O approach aconteceu perto de um estacionamento da quadra do Salgueiro, há mais de cinco anos. Com grande timidez, ele relembra:
— Antes disso acontecer, eu estava perto de uma pilastra que tihna uma televisão. Pensei: "Gente, el não está olhando para mim, está olhando para a televisão". Aí depois eu acabei indo ao camarote, conversamos num ensaio. Depois, meu carro ficou preso no estacionamento. Foi um drama esse dia, mas deu tudo certo. Foi o momento certo para tudo acontecer. A energia do carnaval é muito boa para a gente. É o nosso momento. Eu gosto de participar, de estar junto quando ela viaja, ela mesma pede minha ajuda. E eu sou intrometido mesmo (risos). Eu gosto de dar essa assistência, faço com amor. É para a a gente passar mais tempo junto. Gostamos de estar com a família sempre unida. Isso é importante.
Acostumado à trabalheira do período, ele diz que hoje nem os encontros íntimos do casal são prejudicados.
— Joaquim dorme bem, a noite toda, tem os horários certinhos. É uma criança maravilhosa. E a gente consegue namorar com calma — diz o rapaz, de 35 anos.
Joaquim dá leque à mãe, Viviane Araujo, que posa também com Guilherme Militão, seu marido
Vinicius Mochizuki
A paz entre os seus é inabalável. E visualizar um cenário diferente deste motivou que Viviane Araujo respondesse, diferentemente de como costuma fazer, ao comentário de uma pessoa que analisou sua vida na internet:
— Uma vidente disse que ede 60 a 90 dias eu ia me separar. Ainda disse: "Não vai partir dela, vai partir do marido". Eu vi aquilo e pensei: por que essa pessoa está falando isso? Então, fui lá e decidi escrever "Vai cagar" (risos). Não aguentei. Não costumo responder, mas dessa vez não aguentei. Eu achei demais.
Na quadra, rainha de todos
Mesmo com três décadas de trajetória, Viviane Araujo não se comporta como uma rainha em seu castelo: não tem seguranças próprios, nem motorista executivo. Gente da gente — e assim ela é reconhecida pela comunidade salgueirense, ela conta com os serviços de profissionais temporários em ocasiões especiais. Na quadra da escola, aliás, ela não se conforta em trono de rainha. Rodopia por todo o salão e é abraçada pelos integrantes como se fosse da família.
— Muitos integrantes da bateria têm meu telefone, a gente se fala bastante. Com o mestre de bateria, Mestre Louro, também troco muito. Ele me sugere o que é legal de fazer e, quando eu não curto, digo: "Mestre, não gostei disso, acho que não ficou legal..." É assim. E muitos dos meninos da bateria eu vi crianças. O Guilherme (Oliveira, mestre de bateria), quando cheguei já era adolescente. Mas o Gustavo (Oliveira, também mestre) eu vi criança, era bem pequenininho. Tem dois meninos lá que eu conheci do tamanho do Joaquim — explica.
O Salgueiro defende este ano o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, em homenagem a Rosa Magalhães, a carnavalesca mais vitoriosa do Salgueiro.
— Ela é a maior campeã da história, mulher: Rosa Magalhães. De fato, a maioria das pessoas em cargos de comando no carnaval é de homens. As mulheres estão vindo com força para comandar uma escola, uma direção de carnaval — afirma.
No passado, o primeiro desfile de Viviane Araujo na Sapucaí não foi pelo Salgueiro: foi pela Beija-Flor, em 1995, com Milton Cunha como carnavalesco. Ela tinha um biquíni branco, um arquinho de cabeça e um sonho. Mais de 30 anos depois, seu staff de mais de 15 pessoas inclui maquiador, diferentes responsáveis pela fantasia e pessoas de diversos estados do país. Para o desfile que encerra o carnaval, ela pediu liberdade de movimentos:
— Não vai ter LED nem estrutura muito grande. Ano passado, coloquei e me arrependi. Foi um peso muito grande, desconforto. Foi horrível, para ser bem sincera. Não preciso mais disso não, gente. Deixa eu vir livre, deixa eu vir solta (risos).
Viviane Araujo
Divulgação @viniciusmochizuki
