Vivi para contar: 'Seguimos lutando e agradecendo a Deus pelo milagre', diz mãe de bebê que 'renasceu' após ser declarado morto
“A gestação foi tranquila, até o dia em que um exame indicou a complicação genética dele (o irmão, Nicolas, de 15 anos, tinha a mesma malformação ao nascer, mas menos severa), e precisei ficar internada.
Ainda na barriga, os batimentos cardíacos dele e os meus aceleravam e diminuíam.
Minha família e meus amigos fizeram um culto de ação de graças, e o Noah nasceu uma semana depois, dia 15 de junho, em uma cesárea de emergência, prematuro de 35 semanas, quando eu entrava no oitavo mês de gravidez.
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Deu tudo certo no parto, mas, enquanto os médicos concluíam os procedimentos, Noah foi ficando cansado, e o levaram para a UTI por conta da fenda palatina (malformação em que o céu da boca não se fecha), que dificultava a respiração.
Ele ficou internado na Santa Casa de Rio Claro.
Eu e meu marido nos revezávamos no horário de visita, pois não podia ficar acompanhante.
Durante um mês, a gente sabia que, antes de ir para casa, Noah teria que fazer um procedimento para desgrudar a língua do céu da boca, no hospital da USP conhecido como Centrinho, em Bauru (a duas horas e 20 minutos de Rio Claro, em SP, onde a família vive).
No dia 15 de julho, meu filho completou 1 mês no hospital, e eu e meu marido fomos visitá-lo, brincando sobre quem o pegaria no colo primeiro, pois finalmente seríamos autorizados pelos médicos.
Mas, quando chegamos, a médica da UTI veio conversar comigo e com meu marido.
Sentamos ao lado do leito, e ela nos contou que ele havia tido uma parada cardiorrespiratória e ficado oito minutos desacordado, e que precisaram intubá-lo.
Enquanto ela nos contava, ele teve outra parada.
E foi constatado o óbito.
Nós estávamos com o Noah, vimos a equipe médica tentar a reanimação por 45 minutos, mas não tinha jeito.
Eu não consegui ficar olhando; mas meu marido ficou uns 40 minutos com o corpo.
O rosto dele já estava roxinho e a pele, rígida.
O óbito foi declarado às 17h12.
Liguei para a minha irmã e fizemos os procedimentos na funerária.
Por conta da internação, meu filho nunca vestiu uma roupa.
No dia em que levamos a roupinha para a funerária, a madrinha dele falou: “Comprei essa roupa para ele ir para casa, não para essa situação”.
Fiquei baqueada.
Fomos para casa, e algumas horas depois o hospital ligou insistindo para que voltássemos porque a médica queria falar com a gente novamente.
Quando chegamos, uma enfermeira nos levou para o mesmo lugar na UTI onde nos haviam comunicado o óbito, e a médica, então, nos explicou que não sabiam o que havia acontecido, mas que o Noah estava vivo.
Foto que os pais tiraram com o Noah após eles serem chamados para retornar à Santa Casa de Rio Claro
Reprodução
Ao ouvir a notícia, só consegui falar “Glória a Deus”.
Meu esposo questionou o que aconteceu, mas a médica só nos levou para vermos o Noah.
Ele estava lá, intubado por conta da situação toda, mas bem.
Eu tinha uma mistura de gratidão com medo, porque a médica deixou claro que não sabia como seriam as próximas horas.
Podia ser só o efeito dos medicamentos usados para reanimá-lo, e poderiam constatar o óbito novamente a qualquer hora.
Nessa noite, oramos o tempo todo.
Era o que podíamos fazer.
Depois de dois dias, graças a Deus, ficou tudo bem, até que na sexta (17) fomos transferidos para o Centrinho, em Bauru, onde seguimos.
Estamos em êxtase.
Às vezes parece um sonho, ainda não consigo entender.
Meu marido está abalado, porque teve contato direto com o corpo do Noah na hora do óbito.
Ainda é um momento delicado, mas tenho certeza de que já deu tudo certo.
A gente tem uma rede de apoio, familiares, amigos e nossos pastores.
Continuamos assustados, mas seguimos lutando e agradecendo a Deus pelo nosso milagre.
Deus permitiu tudo isso na vida do Noah e deixou que ele ficasse vivo para as pessoas verem.
Hoje, o Noah está fora de risco.
Saiu do isolamento e começou a fazer os exames para o procedimento na língua.
Os médicos passaram dias procurando sequelas, mas, para glória do Senhor, até o momento não deu nada.
E a gente tem fé de que não dará, que Deus fez a obra por completo.
Montamos o quartinho, compramos as roupinhas, e ele não viu nada ainda.
Mas temos tudo lá à espera dele.
Espero que eu possa sair daqui com ele nos braços.
Creio que será em breve.”
(*Em depoimento a Beatriz Paulino, estagiária sob orientação de Maurício Xavier)
