Viúva de homem morto no Morro dos Prazeres nega troca de tiros e diz que não houve reféns em ação da PM

 

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A versão da Polícia Militar para a operação que terminou com a morte do ajudante de cozinha Leandro Silva Souza, dentro de sua casa, no Morro dos Prazeres, no Centro do Rio, foi contestada pela viúva da vítima. De acordo com Roberta Ferro Hipólito, não houve troca de tiros nem situação de refém no imóvel. A informação foi noticiada pelo RJ2, da TV Globo. Ela afirmou que os criminosos que estavam escondidos na casa pretendiam se entregar, mas foram mortos sem reagir após a entrada dos policiais. Procurada, a Polícia Militar ainda não se manifestou sobre as declarações de Roberta.

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— Em momento algum a gente foi feito de refém. Não fomos ameaçados. Eles falaram assim ‘tia, não se preocupe, se a polícia vim a gente vai se entregar, mas fica calada, a gente vai se entregar’ — narrou Roberta à TV Globo na porta do Instituto Médico-Legal (IML), para onde o corpo do marido foi levado.

Segundo ela, os agentes entraram na casa usando uma granada e atirando, e não houve confronto ou qualquer tentativa de negociação.

— O único tiro que teve lá foi o da polícia, não teve troca de tiro. A polícia derrubou a porta da minha casa com uma granada e já entrou atirando, não teve troca de tiros. Os três elementos que estavam dentro do meu quarto foram mortos sem reagir também. O meu marido ainda gritou ‘tem trabalhador aqui, tem morador’. Mas a polícia já entrou atirando — relatou.

O que diz a PM?

Mais cedo, o tenente-coronel Marcelo Corbage, comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), disse a jornalistas que parte da quadrilha "em ação covarde" invadiu uma residência e fez uma família refém. O morador Leandro Silva Souza acabou morto em meio à negociação.

— A gente estava buscando solução pacífica, mas houve disparos de dentro da residência, e o senhor Leandro levou o primeiro PAF (perfuração de arma de fogo) na região da cabeça. Nossa tropa respondeu com fogo, onde houve a ação de neutralização dos criminosos. Conseguimos tirar a dona Roberta em segurança, em estado de choque — disse.

Segundo a Polícia Militar, seis criminosos invadiram a quitinete na parte baixa da Rua Barão de Petrópolis e fizeram o casal refém. Houve uma tentativa de negociação com os bandidos durante cerca de 15 minutos. O grupo teria mantido a família sob ameaça e, em um único cômodo da residência, efetuou disparos. Os criminosos atiraram no morador, identificado como Leandro Silva Souza. Dentro da casa onde morador foi atingido, a PM apreendeu com os bandidos dois fuzis, duas pistolas e 2 revólveres calibre 38.

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Mais sete mortos

Na operação, também foi morto Claudio Augusto dos Santos, o Jiló, apontado como chefe do tráfico no Morro dos Prazeres. Outras duas pessoas ficaram feridas. No final da manhã, uma série de ações criminosas tomou vias próximas às comunidades — Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos — onde os policiais atuam. Na Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido, um ônibus foi incendiado. Outros foram sequestrados e usados como bloqueios.

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'Era um traficante sanguinário'

Quatro pessoas foram detidas por provocar arruaça nas ruas. O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, Jiló exercia papel relevante no Comando Vermelho. Nesta quarta-feira, a PM localizou o esconderijo dele e a operação foi planejada.

— Era um traficante sanguinário — afirmou Menezes.

Envolvimento em morte de turista

O secretário da PM, Marcelo de Menezes, mostra a ficha corrida de Jiló, com 135 anotações criminais

Marcos Nunes / Agência O Globo

Claudio Augusto dos Santos, o Jiló, começou a colecionar anotações criminais na década de 1990. Entre os crimes estão tráfico de drogas, homicídio, sequestro, cárcere privado e roubo. Contra ele, havia 10 mandados de prisão em aberto.

Jiló é apontado como envolvido na morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, em dezembro de 2016. Na ocasião, o estrangeiro e um primo, cada um numa moto, e entraram no Morro dos Prazeres por engano. Bardella morreu na hora. O corpo dele foi colocado na mala de um carro, onde o primo foi obrigado a entrar. O veículo circulou por cerca de duas horas pela comunidade, até o tráfico mandar que ele fosse liberado.

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De acordo com a polícia, Jiló havia saído da cadeia 30 dias antes de se envolver na morte de Bardella. Ele havia sido preso em 1990 e recebeu uma progressão de pena.

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