Vítimas de Epstein pedem a juiz que bloqueie site do Departamento de Justiça dos EUA após divulgação de seus nomes
Um juiz federal de Manhattan informou que realizará uma audiência nesta quarta-feira para considerar a suspensão do site do Departamento de Justiça dos EUA que hospeda milhões de arquivos do caso de Jeffrey Epstein, empresário e investidor americano que foi acusado de uma série de crimes sexuais e morreu na prisão em 2019, após nomes de vítimas terem sido divulgados indevidamente. A falha em omitir as informações virou a vida de quase 100 sobreviventes "de cabeça para baixo", argumentaram os advogados de um grupo de vítimas em uma carta no domingo.
Ford Models: Jeffrey Epstein negociou compra de agência de modelos brasileira para 'ter acesso a garotas'
Caso Epstein: Veja os principais pontos sobre as 3 milhões de páginas de arquivos que citam Trump, Musk, ex-príncipe e brasileiro
O pedido dos advogados ocorreu após a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, reconhecer em carta ao tribunal, na segunda-feira, que o Departamento trabalhou durante o fim de semana e "removeu vários milhares de documentos e mídias que podem ter incluído, inadvertidamente, informações de identificação de vítimas". Ela atribuiu o ocorrido a "diversos fatores, incluindo erros técnicos ou humanos".
Initial plugin text
A procuradora-geral, junto com seu vice, Todd Blanche, e Jay Clayton, o procurador dos EUA em Manhattan, escreveram que os documentos em questão passariam por novas edições e seriam republicados prontamente — "idealmente dentro de 24 a 36 horas".
O embate entre os advogados das vítimas e o departamento segue a liberação, na sexta-feira, de três milhões de documentos, imagens, vídeos e outros registros relacionados a Epstein. A publicação foi ordenada sob uma lei promulgada em novembro, com a condição de que as informações das vítimas fossem editadas (tarjadas). Bondi afirmou em sua carta que o departamento possui equipes de funcionários dedicadas a monitorar solicitações de vítimas e seus advogados para adicionar novas proteções aos materiais postados.
Em cerimônia: Trump ameaça processar apresentador do Grammy após piada sobre Epstein
'Emergência em curso'
Na carta pedindo que o site do Departamento de Justiça seja retirado do ar temporariamente, até que as edições adequadas sejam feitas, os advogados também solicitaram a nomeação de um monitor independente para supervisionar o processo. Eles descreveram a situação como "uma emergência em curso que exige intervenção judicial imediata".
"Para as vítimas de Jeffrey Epstein, cada hora importa", escreveram os advogados Brittany Henderson e Brad Edwards. "O dano é contínuo e irreversível."
Jeffrey Epstein, acusado de comandar um esquema de tráfico sexual e morto em 2019
Departamento de Justiça dos EUA
Novos documentos: Epstein minimizou crimes sexuais e rejeitou rótulo de 'diabo' em entrevista divulgada pelo governo dos EUA
A carta foi endereçada aos juízes Richard M. Berman, que supervisionou o caso de Epstein, e Paul A. Engelmayer, que supervisiona o caso de Ghislaine Maxwell, cúmplice do milionário que foi julgada, condenada e cumpre pena de 20 anos de prisão.
O juiz Berman, que ordenou a audiência em um breve despacho na segunda-feira, disse reconhecer a "preocupação e a urgência" do assunto e convidou os advogados a trazerem seus clientes com eles.
"Não tenho certeza do quão útil poderei ser", acrescentou Berman, dizendo que incentivou os advogados e o procurador Clayton a trabalharem "para resolver as questões pendentes de boa-fé".
Caso Epstein: Novos documentos revelam ligações da família real da Noruega com criminoso
Pedidos das vítimas
Henderson e Edwards, em sua carta aos juízes, afirmaram que não há "grau concebível de incompetência institucional suficiente para explicar a escala, a consistência e a persistência das falhas ocorridas — particularmente quando a única tarefa era simples: omitir nomes conhecidos de vítimas antes da publicação".
Eles incluíram comentários de várias clientes do escritório. Uma mulher, identificada apenas como Jane Doe 2, disse que todos os seus e-mails foram postados sem edições e que "vários artigos já foram publicados" sobre ela. Outra mulher, Jane Doe 5, escreveu que está sendo assediada pela mídia e por terceiros. "Por favor, imploro que apaguem meu nome!!!".
Uma terceira mulher, Jane Doe 8, disse que suas informações bancárias privadas foram tornadas públicas e que ela estava tentando cancelar seus cartões e contas.
